O governador do Banco de Portugal revelou esta quarta-feira no parlamento que existem ainda quatro outros processos de contraordenação ao Banco Espírito Santo (BES) "que estão em fase de investigação", prevendo-se as conclusões "até 2016".

Carlos Costa, que está em audiência na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública, adiantou ainda que estas investigações "serão aqueles que exigem a colheita de meios probatórios em instituições estrangeiras".

No sábado passado, o jornal Expresso noticiou que o Banco de Portugal acusou 15 gestores do BES de gestão ruinosa e falsas informações com dolo, adiantando que o supervisor tem provas documentais de que Ricardo Salgado ordenou que a contabilidade da ESI fosse alterada.

Segundo o semanário, este é o primeiro processo concluído dos vários abertos pelo Banco de portugal (BdP). O objetivo, neste caso, era "perceber de que forma a colocação de papel comercial da ESI [Espírito Santo Internacional] e da Rioforte junto de clientes entre dezembro de 2011 e dezembro de 2013 teria prejudicado o BES em termos materiais ou reputacionais".

De acordo com o Expresso, Ricardo Salgado enfrenta acusações de prática de atos dolosos de gestão ruinosa. Acrescenta ainda o semanário que o supervisor tem provas documentais de que Salgado ordenou que a contabilidade da ESI fosse alterada, o que, neste caso, "mostra que Salgado, por exemplo, terá mentido na comissão parlamentar de inquérito".

Estas práticas "terão lesado depositantes, investidores e demais credores", segundo as acusações do BdP citadas pelo semanário.

Indiciados pelo mesmo ilícito, segundo o Expresso, estão José Manuel Espírito Santo, Manuel Fernando Espírito Santo e Ricardo Abecassis. Todos desempenhavam à altura dos acontecimentos funções de administração no Banco Espírito Santo ou nas holdings do grupo familiar e são formalmente acusados de terem participado, ou tomado conhecimento, de falsificação da contabilidade da ESI e, mesmo assim, permitirem que os títulos de dívida das sociedades fossem colocados junto de clientes em montantes muito significativos.
 

E a auditoria do Banco de Portugal à sua atuação no caso?


O governador do Banco de Portugal anunciou que a instituição por si gerida vai divulgar, na próxima semana, as recomendações sobre a auditoria interna que avaliou a atuação do próprio supervisor no caso BES.

A auditoria interna foi pedida pelo próprio Carlos Costa e tem como objetivo avaliar a atuação do Banco de Portugal no caso do Banco Espírito Santo, levando à aplicação da medida de resolução a 3 de agosto do ano passado e à criação do Novo Banco.

O deputado do PS Pedro Nuno Santos e a bloquista Mariana Mortágua perguntaram ao governador do Banco de Portugal o motivo pelo qual não divulga todo o relatório, uma vez que esta questão é essencial para poder avaliar o trabalho de Carlos Costa, numa altura em que está em cima da mesa a sua recondução por mais cinco anos.

Carlos Costa respondeu que o relatório de avaliação interna "tem direito a sigilo e não pode ser tornado pública", pelo que só as recomendações serão divulgadas pelo Banco de Portugal.

Sobre se vai continuar à frente do Banco de Portugal, o atual governador fugiu à resposta