O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, diz que Portugal vai precisar de ter um programa de acompanhamento no pós¿ troika que garanta uma dívida e um défice sustentáveis.

«Seria uma pena que agora perdêssemos o tempo e o ânimo para atingir esta trajetória [¿]», disse o governador num almoço realizado pelo American Club em Lisboa, referindo-se à dívida pública e à necessidade de Portugal ter, em 2020, um défice estrutural de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), «tal como deve pelo pacto orçamental».

O governador lembrou que, para isso, é «preciso um compromisso plurianual, de pelo menos duas legislaturas, entre os partidos do arco do Governo», cita a Lusa.

Carlos Costa disse também que «é muito importante» que Portugal tenha «um programa [de ajustamento] bem-sucedido», além ter uma saída igualmente «bem-sucedida», pois entende que os meses que separam o dia de hoje até ao final do programa «são meses críticos» para cimentar a credibilidade do país.

O Governador insistiu, nesse sentido, na ideia de que é necessário «um consenso político alargado», o que «não significa unanimidade», mas apenas, como explicou, o reconhecimento dos limites das restrições com que Portugal está confrontado em termos política económica.

Falou ainda da necessidade de haver um consenso entre parceiros sociais, por razões ligadas à fase pós- troika, mas igualmente devido a ser fundamental haver coesão social.

Segundo Carlos Costa, Portugal vai chegar ao final do programa de ajuda financeira com «uma excelente notícia» que é a de ter as suas contas externas positivas e apresentarem uma «trajetória positiva».

Sobre o crescimento, quando terminar o programa de ajustamento, em junho de 2014, a notícia nessa altura terá uma «sinalética amarela», pois «teremos entrado» em crescimento, «embora modesto», disse.

A notícia será vermelha, em termos de sinalética, quando finalizar o programa no que toca ao desemprego que deverá situar-se em torno dos 17% a 18% e ao nível da dívida, que se situará «acima do aceitável internacionalmente».

Daí que tenha enfatizado que é preciso ter «a consciência de que devemos transmitir aos nossos parceiros internacionais uma convicção forte de que somos capazes de politicamente celebrarmos os compromissos necessários para haver uma trajetória sustentável», quer da dívida, quer do défice orçamental.