O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, disse esta quarta-feira aos deputados da comissão de inquérito ao Banif que a entidade que lidera transmitiu ao longo dos meses tudo o que "era possível transmitir" sobre o banco.

"Transmitimos toda a informação que nos era possível transmitir e transmitimos a nossa visão do processo da melhor forma que soubemos. E respondemos a todas as questões que nos colocaram", vincou Carlos Costa, que está a ser ouvido esta quarta-feira no Parlamento.

O governador é ouvido pela terceira vez na comissão de inquérito sobre o Banif, tendo reiterado que houve, sob a sua alçada, várias "chamadas de atenção" à administração do Banif sobre a situação do banco.

O Banco de Portugal, sublinhou Carlos Costa perante os deputados, "não é executante nem gestor de bancos" e competia ao Banif demonstrar junto das instituições - portuguesas e estrangeiras - a sua "viabilidade" e "estabilidade financeira".

A 20 de dezembro de 2015, o Governo e o BdP anunciaram a resolução do Banif com a venda da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a criação da sociedade-veículo Oitante para a qual foram transferidos os ativos que o Totta não quis comprar.

BdP não foi contactado nem antes nem durante notícia da TVI 

O governador do Banco de Portugal disse ainda que a entidade que lidera não foi contactada nem "antes nem durante" a notícia de 13 de dezembro da TVI sobre o Banif.

"O BdP não foi contactado antes nem durante" o desenvolvimento da notícia, vincou Carlos Costa.

Em maio, o diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo, disse aos deputados que "antes, durante e depois, seguramente todas as partes foram confrontadas na noite de domingo ao longo do processo de informação", embora o responsável - que não esteve nos estúdios da TVI nessa noite - tenha assumido não conseguir precisar a ordem dos contactos.

A TVI noticiou em 13 de dezembro de 2015 (um domingo à noite) que o Banif ia ser alvo de uma medida de resolução. A notícia terá precipitado a corrida aos depósitos, cuja fuga foi próxima de mil milhões de euros na semana seguinte, segundo revelaram no parlamento vários responsáveis.

O diretor de informação da TVI revelou no Parlamento, quando foi ouvido na comissão de inquérito, que uma carta enviada pelo BdP para o Ministério das Finanças foi a "peça mais importante" para a elaboração e publicação da notícia sobre a resolução do Banif.

Esta quarta-feira, o governador do banco central manifestou ter "plena confiança" nos seus colaboradores, acrescentando que havia um "núcleo muito restrito de pessoas" a trabalhar em torno do Banif.

"Tenho plena confiança que não houve nenhuma fuga de informação", vincou, acrescentando que a missiva em causa foi enviada por correio eletrónico na madrugada desse dia 13 - antes, portanto, da notícia da TVI - e chegou por via formal na segunda-feira, dia 14.

Esta não foi contudo "a única carta sensível trocada entre o BdP e o Ministério das Finanças" sobre o Banif, acrescentou o governador.

Em 20 de dezembro de 2015, o Governo e o Banco de Portugal anunciaram a resolução do Banif, com a venda de parte da atividade bancária ao Santander Totta, por 150 milhões de euros, e a transferência de outros ativos - incluindo 'tóxicos' - para a nova sociedade veículo.