A gravidade da situação do Banco Popular, comprado na noite de 6 para 7 de junho pelo Santander, está cada vez mais à luz do dia. Agora que passaram 20 dias da compra simbólica por um euro e da promessa de um aumento de capital à volta de 7.000 milhões, o maior grupo bancário em Espanha já teve de injetar no Popular quase o dobro desse valor. Tudo para fazer face à fuga de depósitos.

Segundo o El País, a fuga diária alcançou os 2.000 milhões por dia logo desde o dia 2 de junho. Citando fontes do mercado, o jonal diz que o banco já ia chegar ao dia 7 de junho sem conseguir responder às exigências de dinheiro que estava a receber nos escritórios, mediante serviços bancários por telefone e pedidos através da Internet. 

Foi logo a 7 de junho que o Santander teve de injetar os 13.000 milhões. Terá sido uma das maiores transferências de sempre feitas em Espanha. Só na segunda-feira, 12 de junho, a fuga terá estancado.

O Mecanismo Único de Resolução europeu chegou à conclusão que o Banco Popular estava à beira do precipício se não fosse vendido. Daí ter decidido pela venda. Ainda que pelo preço simbólico de um euro, justificou logo na altura é do "interesse público", uma vez que visa "proteger os depositantes do banco e garantir a estabilidade financeira". 

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A presidente do grupo Santander, Ana Botin, garantiu que ia ficar tudo na mesma para os clientes do Banco Popular em Espanha e em Portugal, sem custos para os contribuintes.

Botín espera que a integração do Popular no Santander signifique uma poupança de 10% até 2020 e uma melhoria da rentabilidade do grupo em Espanha e em Portugal até 2019. “A operação é positiva para o setor e para os clientes”, concluiu a presidente do Santander, que não adiantou números sobre eventuais reduções de balcões ou funcionários.

O Banco Popular "mantém-se como filial, mas a ideia é que haja uma integração, mas temos de ver nos próximos meses. Não podemos neste momento dizer qual vai ser a estratégia”.

O que aconteceu ao Banco Popular para chegar a este ponto?

Os problemas no Banco Popular centram-se em imóveis e na gestão. O principal problema vem de empréstimos anteriores de 2008. Acontece que, em 2012, não quis obter ajuda estatal e tudo piorou.

Porém, como é um banco muito direcionado para as PME - Pequenas e Médias Empresas e, desse ponto de vista, é um negócio apetecível para outros bancos.

O Santander já era o maior banco de Espanha e, com esta aquisição, reforça a sua posição hegemónica de mercado. Foi o Citigroup que o assessorou neste processo de compra.

Inicialmente, o Banco Popular até recebeu propostas para uma possível fusão, mas isso não conseguiu travar a queda em bolsa. Só em três dias, nas sessões de 1, 2 e 5 de junho, as ações afundaram 44%. Desde o início do ano, caíram mais de um terço. Até que foi preciso arranjar uma solução à pressão.