O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), João Machado, diz que, com a substituição de Vítor Gaspar por Maria Luís Albuquerque no Ministério das Finanças, o primeiro-ministro assume uma maior responsabilidade pela pasta.

«O que vai acontecer no Ministério das Finanças daqui para a frente vai ser da responsabilidade total do primeiro-ministro e portanto acho que ele se expõe a um nível que não estava exposto até agora e vamos ver o que é que isso representa e o que vai representar no futuro», considerou João Machado à Lusa.

A maior preocupação do dirigente da CAP, à semelhança de outras confederações patronais, é com «as políticas e não com as pessoas», mas sublinha que «há aqui uma responsabilização imediata do primeiro-ministro sobre a política das Finanças, de outra maneira a atual secretária de Estado do Tesouro não seria escolhida para ministra das Finanças».

«Parece que há aqui um risco do primeiro-ministro em assumir o comando desta pasta, sobretudo se não for para fazer uma alteração de política. Portanto, nesta matéria estamos muito expectantes para ver se isto corresponde a uma alteração de política ou à manutenção da mesma política», disse João Machado.

Por isso, a CAP entende que se a alteração de ministro significar uma mudança de políticas então deverá ser aplaudida, mas, caso represente a continuidade do que tem vindo a ser seguido, então contará com a sua oposição.

«Temos criticado esta política que leva ao fecho das empresas e criação de desemprego e, portanto, nessa matéria, estamos expectantes para ver se alguma coisa muda ou se tudo se mantém na mesma, sendo que o nome da atual secretária de Estado do Tesouro me parece um risco político muito grande», afirmou João Machado.

Já o presidente da Confederação do Turismo Português (CTP) diz que o que está em causa são as políticas e não a pessoa que está à frente da pasta.

Numa mensagem escrita enviada à Lusa, Francisco Calheiros mostrou-se preocupado com «as dificuldades de financiamento das empresas do setor e o impacto da brutal carga fiscal que incide sobre as mesmas».

«O país precisa de um setor do turismo mais forte, que crie emprego qualificado e que contribua para o esforço de internacionalização da economia portuguesa», acrescentou.

Por seu lado, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), João Vieira Lopes, esperava que a pasta das Finan;as fosse assumida por alguém mais próximo da economia real.

«A principal crítica que fizemos até agora ao ministro das Finanças foi sobre a sua visão da economia e da resolução da crise que, em nossa opinião, estava demasiado agarrada a um modelo teórico da troika e pouco fundamentada na situação real da economia. Nesse sentido, a nossa expectativa era que o ministro fosse substituído por alguém que tivesse mais a ver com a economia real», disse o dirigente da confederação.

Para João Vieira Lopes, o eventual substituto de Vítor Gaspar deveria ser alguém «mais próximo da economia real de maneira a ter em conta as necessidades das empresas e uma visão mais próxima de como é que se deve dar a recuperação económica», o que leva o presidente da CCP a declarar: «Sob esse ponto de vista [a sucessora, Maria Luís Albuquerque] não é aquele perfil de que estávamos à espera».