Os taxistas decidiram cancelar a manifestação prevista para segunda-feira, depois daquela que esta semana acampou durante 20 horas na zona do aeroporto. As duas associações representativas do setor chegaram hoje a acordo.

Não é o momento adequado para se fazer mais qualquer manifestação, marcha lenta ou concentração".

Foram estas as palavras do presidente da Associação Nacional de Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, citado pela Lusa. Isto depois de se ter reunido com a Federação Portuguesa do Táxi, em Lisboa.

Já ontem, à TVI24, o representante da Federação Portuguesa do Táxi, Carlos Ramos, disse precisamente não estarem "reunidas as condições para manter o desfile e a concentração", uma vez que o Governo ainda não aprovou o diploma que está em negociação.

Desta vez, a ideia seria ir para Belém exigir a intervenção do Presidente da República, mas Florêncio Almeida disse ainda ontem saber que Marcelo Rebelo de Sousa "não vai estar em Portugal na segunda-feira". Entretanto, fonte da Presidência adiantou que os representantes dos taxistas vão ser recebidos na sexta-feira, às 15:00, no Palácio de Belém, por um assessor de Marcelo.

Impaciência, tensão e confrontos marcaram a última segunda-feira: três homens foram sido detidas, um deles indicado por dano qualificado por ter vandalizado um carro da Uber; os outros dois foram detidos na Rotunda do Relógio, um por ter arremessado alguns objetos contra um carro da polícia e o outro por ter lançado um artefacto pirotécnico contra os agentes.

A ameaça da intervenção da polícia, o apelo dos dirigentes e a promessa de novos protestos na próxima semana - que afinal não se realizarão - acabaram por convencer as dezenas de taxistas que bloqueavam a Rotunda do Relógio a retirar dali os veículos, pacificamente, 20 horas depois.

Taxistas propuseram tarifa única de 20 euros a partir do aeroporto de Lisboa

As associações representativas dos taxistas propuseram ao anterior Governo uma tarifa única para táxis a partir do aeroporto de Lisboa de 20 euros, disse hoje o presidente da Federação Portuguesa do Táxi (FPT), Carlos Ramos.

O responsável, que esteve hoje reunido com a Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), em Lisboa, falava aos jornalistas depois de o ministro do Ambiente – que tutela a área dos transportes – ter defendido a criação de uma tarifa única para os táxis do aeroporto.

Segundo o presidente da FPT, a proposta de uma tarifa única surgiu há mais de dois anos na sequência de um grupo de trabalho criado pelo então presidente da Câmara de Lisboa António Costa – atual primeiro-ministro - e foi calculada com base em vários pressupostos exigidos pela autarquia.

“O presidente Costa tinha de ter a garantia de que qualquer pessoa que chegasse ao aeroporto de Lisboa e que fosse para qualquer destino da cidade não pagaria nunca mais do que um determinado valor”, explicou Carlos Ramos.

Além disso, o valor teria de incluir os suplementos do serviço (como as malas) e o relógio tinha de parar. Por isso, mesmo que serviço durasse mais do que uma hora, o cliente não pagaria mais.

“Fizeram-se as contas ao local da cidade mais longo da praça do aeroporto. O sítio mais longe do aeroporto fica a 14,8 quilómetros. Para garantir qualidade de serviço havia que ser cobrada uma tarifa com o valor de 20 euros. Era o valor de referência para se discutir nas próximas reuniões”, disse o presidente da FPT.

Contudo, a proposta dos taxistas nunca foi discutida por decisão do então ministro da Economia, Pires de Lima, afirmou.

Por isso, Carlos Ramos frisou que “essa questão que o senhor ministro agora está a fazer de bandeira não é uma iniciativa do senhor ministro, ela já ocorre há dois anos”.

“O que nos preocupa é porque é que ele omitiu as questões que o setor apresentou para se modernizar. Fê-lo consciente, para deixar a ideia na opinião pública de que estávamos sempre do contra”, frisou.

Além da tarifa única, os taxistas propuseram que os táxis deveriam ter no máximo 10 anos de vida, bem como a introdução de sistemas eletrónicos de pagamento e faturação nos táxis das grandes cidades.