A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários está a avaliar a possibilidade de requerer a um auditor financeiro independente que avalie o preço do BPI, no âmbito da Oferta Pública de Aquisição lançada pelo Caixabank, que o banco liderado por Fernando Ulrich aceitou ontem, classificando-a como "oportuna" e "amigável"

Embora tenha tecido elogios ao banco espanhol, o Conselho de Administração do BPI defendeu que o preço oferecido de 1,113 euros por ação no anúncio preliminar da operação é baixo. Representa “um desconto que oscila entre 1% e 11% relativamente às cotações média do BPI, o que compara com prémios entre 15% e 19% nas transações precedentes no setor bancário europeu, lê-se no comunicado enviado à CMVM. 

Do mesmo documento, consta a declaração de voto do administrador Mário Leite da Silva, presidente da Santoro (empresa de Isabel dos Sanos e segundo maior acionista do banco, com 18,58%), considerando que o preço “não é justo”, ao mesmo tempo que propôs que seja precisamente um auditor independente nomeado pela CMVM a definir o preço por ação a pagar pelo CaixaBank no âmbito da OPA.

“Recebemos o requerimento e irá ter resposta. Estamos a analisar”, disse fonte oficial da CMVM à Lusa.

Antes de o comunicado oficial do BPI ter saído, e apesar de não ter querido levantar o véu, o presidente do banco alongou-se em elogios ao CaixaBank. Na conferência sobre a banca organizada pela TVI24 e pela Associação Portuguesa de Bancos, Fernando Ulrich lançou a escada, classificando o banco espanhol como um "parceiro extraordinário"

Depois de ter anunciado a OPA ao BPI, o CaixaBank tem levado a cabo imensas compras de ações do banco liderado por Fernando Ulrich, mas por um valor abaixo da Oferta Pública de Aquisição (1,113 euros por ação). Passou, assim, a deter diretamente 651.377.606 acções do BPI representativas de 44,71% do capital social e 44,88% direitos de voto do BPI com as aquisições de títulos em bolsa efetuadas desde o final de abril até 12 de maio.