Foi em junho que  foi conhecido que a Caixa Geral de Depósitos ia avançar com um inédito programa de rescisões por mútuo acordo, de modo a acelerar a saída de trabalhadores. Chega esta terça-feira ao fim o prazo para os funcionários se candidatarem.

Esta iniciativa do banco liderado por Paulo Macedo foi criada porque o programa de pré-reformas já não é suficiente para atingir os objetivos de redução de empregados negociadas com a Comissão Europeia. A meta com a qual a CGD se comprometeu foi reduzir os efetivos em 500 pessoas até ao final do ano.

Aos trabalhadores que descontam para a Caixa Geral de Aposentações, o banco público oferece uma indemnização de 2,1 meses por cada ano de trabalho. A quem tem o regime da segurança social (trabalhadores mais recentes ou de empresas do grupo Caixa) 1,6 meses por cada ano de serviço. Em ambos os casos, no máximo de cinco anos.

Os trabalhadores poderão ainda manter algumas vantagens de crédito à habitação e serviços de saúde, contudo, nestes casos o valor da indemnização a receber será mais baixo.

Segundo o calendário do programa de rescisões, termina hoje ao final do dia o prazo para os empregados da CGD manifestarem interesse em rescindir o contrato. Contudo, tal não significa que sairão da empresa. Esta é apenas uma manifestação de intenção. Depois, os trabalhadores serão contactados pelo departamento de Recursos Humanos e terão acesso às contas sobre quanto receberão de indemnização, podendo estes reconsiderar e decidir não sair.

Também o banco público irá avaliar cada candidatura para decidir se a aceita ou não, pelo que este é um processo que se deverá prolongar até perto do final do ano.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Caixa, João Lopes, disse à Lusa que nesta segunda fase, a CGD também poderá contactar trabalhadores que não manifestaram intenção de rescindir para dar a conhecer o programa e tentar convencê-los a aderir.

Em julho, quando apresentou os resultados da CGD do primeiro semestre (período em que teve prejuízos de 50 milhões de euros), o presidente do banco, Paulo Macedo, disse que 100 trabalhadores já tinham manifestado interesse em sair no âmbito do programa de rescisões por mútuo acordo.

Recorde-se que, no âmbito da recapitalização da CGD, o banco público acordou com Bruxelas um programa de reestruturação que passa, entre outras medidas, pela saída de cerca de 2.000 pessoas até 2020, através de pré-reformas e rescisões amigáveis, num ritmo de 500 a 600 por ano.

Certo é que o banco público, que no final do ano passado tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, já tem vindo a emagrecer a sua estrutura nos últimos anos. Saíram centenas de trabalhadores.