Vários trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em França estão em greve, esta terça-feira, "por motivos salariais, pelas condições de trabalho e por temerem pela continuidade da empresa", disse à Lusa Lurdes Monteiro, delegada sindical do banco em Paris.

De acordo com os sindicatos, cerca de 250 trabalhadores - de um total de mais de 500 - aderiram à paralisação, um número desmentido pela direção que aponta para a greve em apenas quatro das 48 agências da CGD em França.

Estamos em greve por motivos salariais, pelas condições de trabalho e por temermos pela continuidade da empresa. Desde que temos cá os agentes do Banco de Espanha, não há negociações salariais e os empregados estão cada vez mais a perder poder de compra", afirmou Lurdes Monteiro, acrescentando que não houve aumentos salariais nos últimos cinco anos.

A delegada sindical denunciou ainda "a falta de efetivos, as horas extraordinárias não pagas e um máximo de baixas e ausências por motivos de doenças prolongadas, depressão e 'burn out' (exaustão)".

As horas extraordinárias são feitas em quantidades enormes nas agências e não são pagas. Queremos que nos paguem, que aumentem os efetivos e melhorem as condições de trabalho das pessoas nas agências", acrescentou.

Lurdes Monteiro afirmou, ainda, temer pelo fecho de agências em França porque "os clientes fecham contas às centenas".

"As nossas taxas são elevadíssimas, os nossos produtos não são concorrenciais. Cada vez mais, os clientes fecham contas às centenas e nos últimos três anos o crédito mal parado aumentou substancialmente e temos receio pela continuidade da empresa. Ainda temos mais receio porque os dirigentes que aqui estão são os mesmos que em Espanha causaram mais de 500 supressões de emprego, fecharam imensas agências e fizeram um buraco de centenas e centenas de milhões de euros que Portugal está a pagar", continuou.

Confrontado com os receios de fecho de agências, Rui Soares, diretor-geral da Caixa Geral de Depósitos França, disse à Lusa que "há um conjunto de castelos de cartas construídos neste momento", apontando para a boa saúde financeira da instituição em França.

No ano passado, foi o nosso ano mais rentável. Estamos a crescer mais de 10% ao nível da atividade com as empresas. Temos indicadores que são muito positivos e temos evoluído muito bem, quer em termos de volume de negócios, quer em termos de relações com os clientes, quer em termos de rentabilidade", declarou, sublinhando que "não é verdade" que haja "centenas de clientes a fechar contas".

Questionado sobre os aumentos salariais, Rui Soares respondeu que "houve negociações salariais como em todas em empresas em França", indicando que este ano a inflação foi de 0,2% e que o aumento foi "levemente superior à inflação" devido "aos muito bons resultados" que permitiram fazer "uma certa correção face a anos anteriores".

"A greve que está a ocorrer na Caixa Geral de Depósitos França é uma greve que resulta muito de expectativas do ponto de vista moratório, por um lado, porque a inflação é muito baixa e obviamente que os aumentos depois também são muito baixos. Simultaneamente, há, neste momento, um ambiente bastante forte de greves em França", declarou, em referência ao movimento social contra a reforma do código do trabalho em França.

A greve na CGD França foi convocada pelos sindicatos Força Operária, Confederação Geral do Trabalho e Confederação Francesa dos Trabalhadores Cristãos.