Depois de muitas dúvidas legais e de uma acesa disputa com o PSD e CDS-PP, que envolveu o próprio presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues fez questão de dar posse à Comissão de Inquérito à Gestão da Caixa Geral de Depósitos.

O inquérito vai decorrer enquanto o processo de recapitalização da Caixa está a ser discutido em Bruxelas e por isso a Comissão é convocada de forma potestativa, à revelia dos partidos à Esquerda. Mas o presidente do Parlamento garante que a génese não retira poder aos trabalhos parlamentares.

Superadas que foram as dúvidas constitucionais e legais quanto ao âmbito da atuação desta comissão de inquérito, estamos agora em condições de assegurar um trabalho de fiscalização parlamentar de qualidade, respeitador da separação de poderes e dos processos de decisões em curso, mas que seja ao mesmo tempo rigoroso na avaliação dos atos de gestão que conduziram a mais esta mobilização futura de dinheiros públicos para o sistema financeiro”, disse Ferro Rodrigues.

Sanadas as diferença, o importante é fiscalizar o processo de recapitalização do banco público que, no final, vai obrigar a nova injeção de dinheiro no setor.

O Parlamento não pode fechar os olhos nem cruzar os braços. A Caixa Geral de Depósitos, pela sua dimensão e pelo seu caráter público e nacional, é uma entidade absolutamente estratégica sendo critica para as famílias e as empresas portuguesas a sua saúde financeira”, acrescentou.

O PSD requereu de forma urgente as audições do presidente demissionário da CGD, José de Matos, do Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa e do ministro das Finanças, Mário Centeno. Os sociais-democratas querem que tudo aconteça ainda este mês, antes das férias parlamentares. E para não perderem tempo, a Comissão reúne-se já esta quinta-feira. Um dia antes do debate sobre o Estado da Nação.