O Eurogrupo advertiu esta segunda-feira, em Bruxelas, que Portugal poderá ter que necessitar de mais medidas para atingir o compromisso do défice para este ano, um objetivo «ainda ao alcance» mas cujo cumprimento não está assegurado.

Os ministros das Finanças da zona euro, reunidos em Bruxelas, fizeram um ponto da situação dos progressos realizados pelos sete Estados-membros que foram identificados, em dezembro de 2014, como estando «em risco de incumprimento» do Pacto de Estabilidade e Crescimento em matéria de cumprimento do défice, um dos quais Portugal, que a Comissão duvida que consiga colocar o défice abaixo dos 3% do PIB, tal como se comprometeu.

Na avaliação realizada esta segunda-feira, o Eurogrupo nota que Portugal «está a fazer alguns progressos com as reformas estruturais», mas as projeções não apontam ainda para uma «correção atempada do défice excessivo em 2015, embora este objetivo ainda esteja ao alcance».

Observando que a mais recente projeção da Comissão Europeia aponta para um défice de 3,2% do PIB, quando Portugal se comprometeu a sair este ano do procedimento por défice excessivo - ou seja, abaixo dos 3% -, o Eurogrupo adverte que, nesse cenário, «serão necessárias medidas efetivas para permitir uma melhoria do défice nominal de uma forma durável, de modo a cumprir as regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento».
 
«Neste quadro, saudamos a reafirmação por parte de Portugal do seu compromisso de dezembro de 2014, no sentido de implementar as medidas necessárias para assegurar que os objetivos são cumpridos em 2015», indica o Eurogrupo na declaração adotada no final da reunião de hoje.

A 08 de dezembro de 2014, o Eurogrupo concordou com a avaliação de Bruxelas, feita com base na análise dos planos orçamentais para 2015, «de que há um risco de incumprimento» das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento no caso de Portugal, instando as autoridades a tomar «as medidas necessárias para assegurar uma correção atempada» do processo por défice excessivo.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, reafirmou que acredita que não serão necessárias medidas adicionais este ano para cumprir o objetivo do défice orçamental.