«O futuro do dinheiro é digital», disse hoje em Barcelona o investidor norte-americano Brock Pierce. O investidor é um dos pioneiros das moedas virtuais como a «bitcoin» e defende que este modelo de pagamento «democratiza o sistema, permitindo que cada ser humano que tenha um telefone ou um computador possa participar na economia «online».

Brock Pierce foi recentemente eleito para o conselho de administração da Fundação BitCoin, que promove o uso da controversa moeda virtual. Pierce reconhece que continua a haver alguma preocupação em torno desta moeda, mas que a tendência é «positiva».

«Estamos a falar de uma rede gigantesca de moeda digital e intangível que já constitui uma rede de pagamentos gigantesca», explicou.

Para Pierce, o atual sistema de pagamentos nem sempre funciona. E deu o exemplo de clientes fora dos países desenvolvidos ou em países onde a sua moeda nacional «tem menos confiança internacional».

A «bitcoin», ou semelhantes, oferece um «modelo com poucos custos, simples, com pouca fraude, com melhores taxas de conversão» já usado em milhões de transações.

«Imagine um modelo, por exemplo, em que se começa a ver um vídeo ou ler um livro e depois se faz um pequeno pagamento, uma microtransação, para terminar. Quase como dar uma moeda a um músico que esteja na rua», exemplificou Pierce.

«Ainda não podemos fazer isso online. Isso será o futuro», rematou.

Mas, há ainda uma grande desconfiança em torno da «bitcoin». Notícias como a falência de uma das maiores empresas do setor, a Mt Cox, no Japão ou o recente roubo digital a uma empresa canadiana fazem cair o valor da «bitcoin». Em 2013, este valor era de mil dólares e no final do ano desceu para quase metade.

O próprio regulador do mercado norte-americano, a Security and Exchange Comission alertou recentemente para o elevado risco associado ao investimento em «bitcoin».

Pierce desvaloriza: «Claro que há noticias sobre riscos. Mas também há noticias positivas, como a Alemanha que recentemente a reconheceu como uma moeda válida para trocas comerciais», disse.