O Montepio ofereceu entre 35 e 50 milhões de euros pelos balcões e meios de pagamento do BPN em 2011, disse esta terça-feira o presidente do banco, adiantando que fez uma oferta aquando da nacionalização que poderia ter rendido 150 milhões.

O Montepio concorreu ao processo de privatização do BPN no ano passado. Tomás Correia disse hoje, perante os deputados da comissão de inquérito ao BPN, que o Montepio não se propunha comprar o BPN, mas a rede de agências, depósitos e meios de pagamento, numa proposta de um «montante global entre 35 e 50 milhões de euros».

Tomás Correia disse também que o banco mutualista ficaria com 350 trabalhadores do BPN e que se propôs colaborar com o Estado na recuperação dos créditos do BPN, escreve a Lusa.

Para a deputada socialista, Ana Catarina Santos, a proposta do Montepio contrasta com a do luso-angolano BIC, que este ano concretizou a compra do BPN, numa transação que implicou a recapitalização do BPN pelo Estado em 600 milhões de euros.

«O BIC adquiriu o BPN por 40 milhões, dos quais escolhe ativos com que fica, o Estado encarrega-se das indemnizações dos trabalhadores, dos processos judiciais que correm e do conjunto dos ativos não escolhidos pelo BIC. Nas palavras de Lourenço Soares [antigo administrador do BPN], será um encargo ao longo de dez anos para os contribuintes portugueses», afirmou a deputada, questionando Tomás Correia se a sua proposta era mais «vantajosa» para o Estado do que a do BIC. O responsável preferiu não fazer comparações.

O deputado do CDS João Almeida questionou então Tomás Correia sobre o que aconteceria ao BPN se o Governo PSD/CDS tivesse aceite a sua proposta: «Continuaria nas mãos do Estado, que promoveria sua liquidação», afirmou o presidente do Montepio.