O presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, considerou esta quarta-feira que a estratégia orçamental em curso em Portugal «é correta» independentemente de quem esteja no poder.

«Penso que a estratégia orçamental (em curso) é correta. Seja quem for que esteja no poder não pode ter objetivos fiscais quantitativos diferentes destes», disse Fernando Ulrich, citado pela Lusa, durante o ciclo de conferências PLMJ, que hoje decorreu em Lisboa, com o tema «Reforma do IRS OE2015».

Fernando Ulrich reforçou ainda que «Portugal não tem grande margem de manobra para ter objetivos diferentes»dos atuais e destacou a necessidade da existência de um debate a nível europeu, sobretudo na Alemanha, sobre «políticas públicas algo diferentes das de hoje».

Sobre uma reforma do Estado, defendida pelo também orador e economista António Nogueira Leite, segundo o qual a mesma não foi feita, Ulrich frisou que «é bom ter consciência de que quando se diz para cortar na despesa do Estado», isso significa «cortar no rendimento de alguém».

«É sempre cortar despesa de um lado e perda de rendimento do outro, a reforma do Estado é o quê? É cortar empregos e no rendimento», disse.

O presidente da instituição financeira sublinhou ainda que Portugal «não tem outro remédio senão ter um objetivo de saldo primário razoavelmente positivo».

«Não podemos estar a zero, temos de estar acima», disse.

Partindo do exemplo do que foi efetuado no seu banco, onde se realizaram acertos e cortes graduais, Fernando Ulrich defendeu para o país o mesmo tipo de abordagem em «fatias de ajustamento» nos próximos anos.

«Não acredito em soluções mágicas ou radicais», afirmou.