O PSI20 perdeu mais de 19% este ano em comparação com 2015. O sentimento negativo já vinha desde antes do Brexit, sobretudo com as quedas abruptas do BCP, mas o referendo britânico colocou o índice de referência da bolsa portuguesa ainda mais para baixo. Tudo começou na última sexta-feira negra para os mercados à escala mundial. A saga continua esta segunda-feira.

Apesar de ter aberto em alta, rapidamente Lisboa inverteu o sentimento e está a renovar mínimos consecutivos quanto aos pontos que vale. 

Pelo menos desde fevereiro de 1996, que o PSI20 não tinha tão poucos pontos: 4.291,25. Quando o índice de referência da bolsa nacional arrancou, no final de 1992, foi com 3.000 pontos base.

Pelas 14:00, a bolsa acusava uma desvalorização de 1,55%, com quase todas as cotadas a perder. Destaque para a The Navigator Company, com um recuo de 5,8% para 2,521 euros. Também a Mota Engil seguia a perder 5,6% para 1,445%. Aproximadamente a mesma desvalorização tinha a Semapa, mas para 9,548 euros.

A Pharol, muito pressionada pelo processo de recuperação judicial da Oi, seu principal ativo, continua em maré de perdas, descedo hoje cerca de 1% para 0,096 euros. Já o BCP tem oscilado entre ganhos e perdas, mas àquela hora descia 0,56% para 0,0179 euros. 

A incerteza pós-referendo britânico está a deixar as bolsas indefinidas, com um claro nervosismo a pairar. Regra geral, mesmo aquelas que abriram a recuperar esta semana, já foram arrastadas pelo pessimismo.

Madrid é exceção no quadro europeu, mas também foi das praças que mais perdeu (+ de 12%) na última sexta-feira negra, o primeiro dia de reação ao Brexit. E é exceção pela recuperação técnica que está a conhecer, sendo que há outro fator adicional que poderá estar a influenciar as negociações. Espanha foi ontem a eleições

Embora o PP tenha saído vencedor, não ganhou os deputados suficientes para governar em maioria. A incerteza política volta a pairar sobre o país vizinho. E sobre a Europa no seu todo, de olhos postos no Brexit.

A este propósito, as atenções estão hoje viradas para Portugal já que arranca esta segunda-feira o Fórum do Banco Central Europeu, em Sintra. O encontro conta com a presença do presidente do BCE, Mario Draghi, o presidente do Banco de Inglaterra e, também, da Reserva Federal dos EUA.

Há vários motivos para recear o impacto que o Brexit poderá ter para Portugal. As exportações vão ficar mais caras e os ingleses vão perder poder de compra. Ora, os turistas britânicos são dos que mais visitam Portugal. Juntando as peças do puzzle, a economia portuguesa poderá ressentir-se substancialmente - e já é das mais frágeis e suscetíveis da Europa a ondas de choque como esta.