A Bolsa de Lisboa caiu 2,1%, penalizada pelo tombo da Galp Energia e em linha com as pares europeias, após dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos (EUA) terem despoletado uma onda de vendas, enquanto os investidores tentam adivinhar o ‘timing’ de uma subida da taxa de juros no país.

Todos os 18 títulos do PSI-20 fecharam no vermelho, com a queda de 4,37% da Galp a castigar mais o índice.
A retalhista Jerónimo Martins, que caiu 1,82%, e o Millenium BCP, que perdeu 3,26%, colocaram pressão adicional.
Segundo o BPI, o plano de expansão que a retalhista E.Leclerc tem para os próximos cinco anos na Polónia não deverá 'beliscar' a liderança da Biedronka, subsidiária da retalhista portuguesa, nem alterar o cenário competitivo que se vive no país.

O BCP – que detém mais de 50% do Millenium Bank, na Polónia – fechou a perder, apesar de o Senado polaco ter restaurado à forma original a proposta de lei que força a participação dos bancos na conversão de créditos denominados em francos suíços para zlotys.  Esta alteração divide de forma equitativa os custos entre os bancos e os clientes, face ao cenário anterior que colocava 90% do fardo sobre os bancos e cujo impacto na unidade polaca do BCP poderia ascender aos 600 milhões de euros, segundo o Caixa BI.

O BPI tombou 4,37%, e o Banif afundou 9,8%, para um novo mínimo histórico. A incerteza sobre se Portugal conseguirá vender o Novo Banco e a que preço pressionou as ações dos bancos nacionais cotados, justificando-se a brutal queda do Banif pelo facto de este ser um 'penny stock', ou seja, uma ação com uma cotação tão baixa, que qualquer pequena variação no preço inflaciona as variações percentuais.

A Sonae caiu 3,21% para 1,086 euros. A entrada da insígnia de roupa de criança Zippy, da Sonae, em quatro países da América Latina é positiva, pois segue a linha de aumentar a escala da empresa através da internacionalização, mas não deverá impactar as ações da retalhista, segundo o Caixa Banco de Investimento.

Os CTT desvalorizaram 0,26% para 9,31 euros. O BPI subiu o preço-alvo do operador postal em 7% para 10,6 euros por ação no fim de 2016, após os bons resultados do operador postal nos seis meses de 2015, confirmando a sólida geração de 'cash flow' e um dividendo atractivo.

RISCO POLÍTICO EM PORTUGAL?

Segundo diversos analistas, o risco político de Portugal tem estado fora do 'radar' dos investidores internacionais
mas vai aumentar, caso se mantenha o empate técnico entre os socialistas e a coligação governamental, dificultando a criação de um Governo estável após as eleições de 4 de Outubro.

Uma sondagem Expresso/SIC/Eurosondagem, publicada hoje, mostra que o Partido Socialista (PS) lidera as intenções de voto com 36%, mas apenas um ponto percentual (pp) acima da coligação PAF-Portugal à Frente, constituída pelo Partido Social Democrata (PSD) e pelo CDS-Partido Popular. O PS caiu 0,3 pp e a coligação subiu 0,2 pp, nesta sondagem baseada em 1.040 entrevistas realizadas entre 27 de Agosto e 2 de Setembro, que tem uma margem de erro de 3,04%.

"É cada vez mais provável que o resultado das eleições não produza uma solução governativa estável e isso faz naturalmente aumentar o risco político de Portugal, que não tem sido em nada descontado no preço dos ativos portugueses", disse à Reuters Filipe Garcia, economista da consultora IMF-Informação de Mercados Financeiros, no Porto.

EUA CASTIGAM EUROPA

O Departamento do Trabalho dos EUA divulgou hoje o seu relatório para Agosto, o último antes da próxima reunião de política monetária da Reserva Federal, em Setembro, revelando que foram criados menos postos de trabalho do que o esperado em agosto, o que parecia contrariar uma subida da taxa diretora ainda este mês.

Inicialmente, os mercados reagiram de forma positiva, mas o relatório revelou também uma queda da taxa de desemprego para mínimos de sete anos e meio e um aumento do salário médio – dados positivos que apoiam uma intervenção da Fed já em Setembro e deixaram assim os investidores com os 'nervos em franja’. “O sentimento é de bastante nervosismo... Eu penso que um número crescente de investidores culpa os bancos centrais por não agirem, no ambiente atual, para trazer estabilidade”, disse Ingo Speich, gestor de portefólio na Union Investment.

O Eurofirst 300 caiu 2,39% e os sectores petrolífero e de recursos básicos – que tombaram 4,03% e 5,05%, 
respectivamente – foram particularmente atingidos. Os desempenhos das principais praças europeias oscilaram entre perdas de 0,37% em Atenas e de 3,18% em Milão. Frankfurt recuou 2,71%, após uma queda das encomendas no sector industrial, em julho, com menor procura estrangeira, apontando fraqueza no motor de exportações que tem vindo a apoiar o crescimento da maior economia da Europa.

Passa assim o efeito do ‘calmante’ tomado ontem pelos mercados através das declarações de Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu (BCE). Este declarou ontem que o BCE está pronto para reforçar o seu programa de ‘quantitative easing’, se necessário, tendo o banco central mantido as taxas de juros em níveis mínimos. Draghi sublinhou que o crescimento das economias da moeda única vai sofrer devido ao arrefecimento das economias dos mercados emergentes, particularmente da China, e com a queda dos preços do petróleo, trazendo de volta o espectro da deflação.