O Banco Nacional de Angola retirou a garantia estatal à filial do Banco Espírito Santo em Luanda dois dias antes da resolução do BES, decidida pelo Banco de Portugal, apurou a TVI.
 
A retirada da garantia estatal, no valor de 3,5 mil milhões de euros, foi comunicada por carta pelo BNA à filial angolana do BES. A TVI sabe que a carta existe, mas o banco central angolano ainda não permitiu a sua divulgação.
 
A garantia em causa, que perdeu validade a 01 de agosto, tinha sido assinada pelo ministro das Finanças e seguia-se a uma ordem do Presidente José Eduardo dos Santos, que prestava ao BESA uma garantia soberana irrevogável no valor de 5,7 mil milhões de dólares.
 
Apesar de irrevogável, a sua revogação em muito contribuiu para o fim do BES em Portugal. E aqui subsiste a dúvida: foi a intervenção do Banco de Portugal no BES que fez extinguir a garantia ou foi a retirada de garantia por parte de Angola que empurrou o BES para o colapso?
 
Para Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do BES, o problema está na resolução do banco, que atirou a garantia estatal para o lixo tóxico, e foi essa decisão que terá ditado o fim da garantia.
 
Mas a versão do Banco de Portugal é bem diferente: diz que no dia 27 de julho houve uma primeira comunicação que diz que, na sequência da auditoria que estão a fazer ao BESA, admite a possibilidade de haver um bail-in de credores, em que obviamente entrava, em primeiro lugar, o credor BES. E, além disso, diz que há créditos problemáticos que não estão cobertos pela garantia.
 
E foi demasiado tarde que percebeu que os 3,5 mil milhões de euros não tinha, garantias reais para ser executadas. Foi isso que obrigou o BESA a procurar o conforto do Estado angolano, mas essa garantia estatal nunca chegou a ser executada, porque foi retirada ainda antes da resolução do antigo BES.