O Bloco de Esquerda marcou este sábado a sua próxima Convenção Nacional para 25 e 26 de junho, em Lisboa, e lamentou o chumbo pelo parlamento de resoluções a condenar a prisão de ativistas políticos angolanos.

Decisões que foram anunciadas pela porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, em conferência de imprensa, no final de uma reunião da Mesa Nacional do Bloco de Esquerda.

Coordenado pela eurodeputada Marisa Matias e pelo dirigente Luís Fazenda, o novo Departamento Internacional do Bloco de Esquerda terá como missão "estruturar de forma contínua as relações internacionais com outros partidos e movimentos progressistas, bem como todas as plataformas internacionais" de que os bloquistas façam parte.

Em matéria de política internacional, Catarina Martins considerou "profundamente lamentável" a reprovação na quinta-feira, pela Assembleia da República, de votos do Bloco de Esquerda e do PS de condenação pela atuação da justiça angolana ao aplicar penas de prisão a 17 ativistas políticos, um deles o luso-angolano Luaty Beirão.

"Há pouco mais de 40 anos Portugal vivia numa ditadura e foram muitas as vozes de outros países que se levantaram pela libertação de presos políticos - e ainda bem que o fizeram. Portugal deve agora saber o mesmo quando há presos políticos noutras ditaduras", declarou Catarina Martins.

Em relação à situação no Brasil, Catarina Martins, salientou em primeiro lugar que o Bloco de Esquerda "não pactua" com fenómenos de corrupção e no comunicado final dos bloquistas refere-se que o ex-chefe de Estado Lula da Silva "não deveria recorrer a um cargo político para alterar a entidade que possivelmente o julgará" no âmbito da operação "Lava jato".

No entanto, em relação ao processo político de destituição da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, Catarina Martins disse que se está perante uma tentativa de "golpe de Estado".

Perante os jornalistas, Catarina Martins reafirmou a posição do Bloco de Esquerda a favor "do controlo público da banca".