A bolsa mundial de conversão de dólares em bitcoins, a Bitfinex, sedeada em Hong Kong, que sofreu um roubo de 71 milhões de dólares (64 milhões de euros) devido a um, alegado, ataque de hackers – piratas informáticos - disse que está a operacionalizar novamente o sistema online. Mas é inevitável: os utilizadores vão perder.

"Depois de muito pensar, analisar e consultar, chegámos à conclusão de que as perdas devem ser generalizada a todas as contas e ativos", disse fonte oficial da bolsa de conversão citada pela Bloomberg.

Assim, em vez de registar perdas por carteira, a plataforma de moeda virtual optou por registar perdas discretas em cada cliente que poderão rondar os 36%.

Para compensar os lesados, a Bitfinex disse que os detentores de contas vão receber fichas que permitem o reembolso ou a troca por ações da empresa-mãe.

A Bitcoin negociou a cerca de 595 dólares (536 euros) em Tóquio na segunda-feira, com base nos preços de Coinbase, acima de um mínimo de 577,23 dólares (520 euros) quando a falha de segurança ocorreu. Por esclarecer está ser a falha se deve, de fato, a um ataque pirata, ou a um roubo. 

O alegado ataque surge depois de, em 2015, um esquema na empresa de negociação Mycoin ter burlado os investidores em mais de 300 milhões de euros, levando a empresa a fechar portas. 

Na Europa, a Comissão Europeia propôs, em julho, regras mais rigorosas na utilização de moedas virtuais e cartões pré-pagos. O objetivo é tentar reduzir os pagamentos anónimos e travar o financiamento do terrorismo.

Desde 2014 que as entidades europeias, e o Banco de Portugal, estão atentas a este fenómeno das bitcoins. A primeira máquina multibanco de bitcoins em Portugal, operada pela empresa  Captain Wings foi inaugurada em outubro de 2014. Na ocasião o Banco de Portugal disse que as moedas virtuais não eram seguras. “As entidades que emitem e comercializam moedas virtuais não são reguladas nem supervisionadas por qualquer autoridade do sistema financeiro, nacional ou europeia», frisava o BdP.