O presidente do banco BIC português e antigo ministro, Luís Mira Amaral, defendeu esta quarta-feira, em Luanda, a «eficácia e seriedade» da Justiça no setor bancário em Portugal.

Durante uma conferência promovida pelo Grupo de Líderes Empresariais de Angola, Mira Amaral recordou o «caso Madoff», fraude ocorrida em 2008 nos Estados Unidos. A propósito, o banqueiro português elogiou a rapidez de atuação das autoridades norte-americanas, aludindo aos desenvolvimentos no caso Banco Espírito Santo (BES) de Portugal e que teve repercussão em Angola (BESA).

No final da intervenção, o antigo ministro português, que teve as pastas do Trabalho e Solidariedade Social e da Indústria e Energia sustentou que não se pronuncia «sobre casos portugueses», mas sublinhou «pela positiva» a atuação norte-americana junto do setor bancário.

«Pretendi mostrar que para os americanos, quando querem, a Justiça funciona. Nesse aspeto, acho que, como aqui disse na minha intervenção, a eficácia e a seriedade da Justiça são importantes», disse, questionado pela Lusa sobre a situação em Portugal, tendo em conta as investigações, judiciais e ao nível do parlamento, do BES.

«Felizmente estamos num Estado de Direito em Portugal. O poder político, através do parlamento, o Banco de Portugal e os tribunais é que se pronunciam sobre isso. Eu respeito escrupulosamente o poder dessas instituições políticas, reguladoras e judiciais», afirmou Mira Amaral.

Acrescentou que em Angola e Portugal, o objetivo do grupo BIC passa por «consolidar» as operações e «nada mais», rejeitando assim qualquer interesse na aquisição do Novo Banco português, criado a partir de parte dos ativos do BES, como reporta a Lusa.