O grupo de trabalho que está a procurar uma solução para compensar os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo volta a reunir-se esta sexta-feira. Quase dois anos depois do colapso, os ex-clientes do BES esperam finalmente ver-se ressarcidos.

Em causa estão 2.084 investidores que reclamam 432 milhões de euros investidos em papel comercial das empresas Espírito Santo International e Rioforte, do GES, que foi vendido a clientes do retalho aos balcões do banco BES. Esse dinheiro foi dado como praticamente perdido aquando da ‘implosão’ do grupo, em 2014.

Desde então que estes clientes têm feito várias ações para tentarem recuperar o dinheiro investido, no entanto, o tema só ganhou mais ênfase depois de, em fevereiro, o primeiro-ministro, António Costa, ter censurado publicamente o governador do Banco de Portugal por estar a "arrastar" uma solução para o problema.

O encontro vai juntar, como habitualmente, a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial do GES, o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o 'banco mau' BES, sob a mediação de um representante do Governo.

O Governo assumiu este caso como uma prioridade por considerar que está em jogo a reposição da confiança no sistema financeiro, e o chefe do Governo fez questão de presidir em março à cerimónia de assinatura do memorando de entendimento em que as partes se comprometeram a encontrar uma solução para este caso até ao início de maio.

O jornal Sol publicou este fim de semana que a solução poderá passar pela criação de um veículo financeiro que comprará os créditos que os clientes lesados têm sobre as empresas do GES, sendo que será depois esse veículo que irá receber eventuais compensações decorrentes da massa falida das empresas insolventes.

Fonte das negociações disse à Lusa que, neste momento, a solução que está a ser negociada passa por um mecanismo desse tipo e que esse veículo assumirá as ações em tribunal que os lesados puseram e receberá eventuais compensações que venha a ser decididas na Justiça.

A questão agora é saber como será o veículo financiado numa fase inicial, uma vez que terá de pagar aos clientes lesados para ficar com os seus créditos.

Falta também enquadrar juridicamente esta solução, de modo a que seja garantido que não há impedimentos legais à sua concretização.

No final de abril, um comunicado divulgado à Lusa pelas três partes envolvidas nas negociações - a associação que representa os clientes lesados, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Banco de Portugal – referia que estava "muito perto" uma solução para este caso, mas que ainda precisava de "algum trabalho de concretização".