A auditoria forense ao Banco Espírito Santo (BES) revelou 16 situações de potenciais incumprimentos relativamente ao BES Angola (BESA).

A TVI teve acesso à auditoria que refere haver um potencial ato de gestão ruinosa e a prática de atos dolosos por parte do Conselho de Administração do BES, com o pelouro do BESA, com consequências para os depositantes, investidores e credores da instituição.
 
«Na ausência de um racional económico que legitimamente justifique o aumento de exposição do BES ao BESA, este poderá ser ainda configurável como um potencial ato de gestão ruinosa pelo que, caso sejam apurados factos adicionais relativamente ao mesmo, tal poderá ser configurável como a prática de atos dolosos de gestão ruinosa, em detrimento dos depositantes, investidores e demais credores, por parte dos membros do CA do BES, com o pelouro do BSA», lê-se no documento.

A Deloitte detetou também que houve situações, nos movimentos nas contas do BESA, em que os beneficiários finais eram entidades relacionadas com o BES e entidades que a comunicação social identificava como estando ligadas a responsáveis do BES e/ou do BESA.

«Em 31 de dezembro de 2013 o Estado angolano concedeu uma garantia ao BESA no valor de 5,7 mil milhões de dólares para cobertura de parte da carteira de crédito do BESA na mesma data, sendo que alguns administradores do BES tiveram conhecimento da negociação desta garantia (pelo menos) em outubro de 2013», indica a Deloitte no documento.

O texto revela que houve transferências da conta do BESA no BES para «entidades relacionadas com o BES» e «entidades mencionadas nos meios de comunicação social como tendo ligação a responsáveis do BES e do BESA», mas a Deloitte não revele a identidade das mesmas.

A auditoria refere ainda que se verificou a aprovação de várias operações de crédito do BESA junto do BES «por apenas um membro permanente do Conselho Diário e Financeiro de Crédito».

O documento revela ainda que diversas operações de crédito do BESA junto do BES foram encontradas situações que punham em causa o controlo interno do BES. Por exemplo, noutra situação, a Deloitte escreve que não conseguiu encontrar provas que, em 2008, o dinheiro que o BES emprestou ao BESA, com o argumento de que ia comprar Obrigações do Tesouro no valor de 1.500 ME, tenha sido, de fato, usado para esse fim.

A comissão de inquérito ao caso BES prossegue: teve a primeira audição a 17 de novembro de 2014 e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Esta manhã, os deputados ouviram o presidente do BPI, Fernando Ulrich, seguindo-se o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.
Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».