O antigo banqueiro Ricardo Salgado afirmou, em entrevista ao Dinheiro Vivo divulgada este sábado, que o Novo Banco devia ficar em mãos portuguesas, manifestando oposição à venda da instituição bancária ao fundo norte-americano Lone Star.

No meu entender, a melhor solução para o Novo Banco era permanecer português, (...) quer fosse adquirido pela Caixa [Geral de Depósitos], quer [fosse] pelo Millenium BCP. Mas também pergunto: e o Banco de Fomento, para que é que serve? O Banco de Fomento podia perfeitamente ser recapitalizado pelo Estado para reforçar o Novo Banco”, afirmou Ricardo Salgado.

O ex-banqueiro já tinha manifestado a mesma posição numa entrevista por correio eletrónico à agência noticiosa Bloomberg na semana passada.

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Na mesma entrevista, Ricardo Salgado garante que nunca se sentiu ameaçado pelos lesados do BES e recusa pedir desculpas por algo que entende ser culpa do banco de Portugal.

O Banco de Portugal provocou o colapso e os lesados do BES.”

Ricardo Salgado garante que sempre teve a intenção de pagar tudo a toda a gente, mas foi travado porque "o governador do Banco de Portugal decidiu avançar com a resolução do BES".

O que defendo é que quem prejudicou os lesados do BES não foi a administração do banco. A administração do BES ficou sujeita a uma resolução, por causa das provisões ilegais que referi, e a seguir essas provisões não foram usadas para reembolsar os lesados do BES.”

Antigo presidente do Banco Espírito Santo diz que o que prejudicou os lesados do BES “foi a resolução do Banco de Portugal somada à decisão inusitada de se acabar do nome Espírito Santo que apagou das fachadas dos prédios uma marca com mais de 140 anos”

Também Passos Coelho é criticado pelo ex-banqueiro, que acusa o antigo primeiro-ministro de ter contribuído para "o colapso final" do BES, ao recusar o seu financiamento.

Qualquer outro Governo com o mínimo de responsabilidade e sem intuitos populistas teria evitado a resolução de um banco com a dimensão do BES. Não houve até hoje na Europa nenhuma resolução de um banco que tivesse 20% de quota de mercado, que representasse 27% das operações com as PME, tinha 30% no financiamento do comércio internacional… e 2 milhões de clientes.”