Cinco meses depois de ter começado, eis que esta quinta-feira o relatório preliminar da comissão parlamentar de inquérito ao BES/GES apresenta as suas conclusões.  Uma delas «é provável» que Ricardo Salgado tenha participado no processo de ocultação de contas da dívida da Espírito Santo Internacional (ESI), que precipitou a derrocada do Grupo Espírito Santo. 

VEJA AQUI O RELATÓRIO PRELIMINAR NA ÍNTEGRA

Destacando a «responsabilidade em torno da figura de Ricardo Salgado», uma vez que existia uma «gestão centralizada» e também do controller financeiro José Castella, o relator do PSD afirmou:
 

«Considera-se provável que Ricardo Salgado tenha estado envolvido na ocultação de contas da ESI desde 2008, do qual teria conhecimento e com graus de detalhe relativamente [ao trabalho] de José Castella».


No relatório, pode ler-se:

«A 26 de Março de 2014 teve lugar uma reunião na casa de Ricardo Salgado com João Martins Pereira e Francisco Machado da Cruz, tendo ficado decidido que este  último contaria a verdade na reunião com uma firma de advogados do Luxemburgo, a ter lugar no dia 28 de Março de 2014, e no âmbito da qual é afirmado que a  ocultação de passivo da ESI era intencionalmente praticada desde 2008, e que esta era do conhecimento de José Castella, e ainda que porventura de forma não quantificada, de Ricardo Salgado, tendo o assunto sido referido igualmente junto 8926 de Manuel Fernando Espírito Santo e José Manuel Espírito Santo».


A ESI foi, de resto, «o pecado original da queda do GES», assinala o relatório preliminar. «A ESI encontrava-se já falida pelo menos desde 2009. Em 2006, prejuízos já seriam superiores a 2 mil milhões de euros». Para piorar, «tentou ocultar passivo», recorda Pedro Saraiva.
 

«A prática recorrente de ocultação do passivo desde 2008 (...) dificilmente se conforma com a eventual ocorrência de meros erros contabilísticos».


A comissão aponta ainda o dedo a Salgado quanto às cartas de conforto passadas à Venezuela «à margem» da restante administração, em junho de 2014, e que complicou ainda mais as contas do BES mês fatídico.

Depois, «a significativa obrigação de recompra de obrigações nas duas últimas semanas de vida do BES, ao triplo do valor de que tinham sido vendida, traduziu-se num prejuízo [brutal] para o BES». E foi «supostamente utilizado para financiar empresas do GES», rematou.

O relatório admite ainda que o Governo podia ter feito mais e que  é «urgente» dar resposta aos clientes lesados pelo BES

O relator Pedro Saraiva também admitiu que os deputados não conseguiram apurar tudo o que desejavam.