Da queda do BES e da família Espírito Santo nasceu o Novo Banco. Mas apenas o edifício sede é o mesmo.

Tudo aconteceu há dois anos, com a promessa, por parte do Banco de Portugal e do Governo de Passos Coelho, de que não teria custos para os contribuintes.

O facto é que o Novo Banco está na esfera pública e em dois anos de vida somou prejuízos de cerca de 1.800 milhões de euros, e isto apesar de a instituição ter herdado apenas os ativos “bons” que o banco geria porque os tóxicos foram desviados para um BES “mau”.

Na altura da intervenção foi deixada outra promessa, a de que a venda seria rápida. Mas como diz o ditado “promessas leva-as o vento”,

A primeira tentativa falhou. E segunda está em curso. O processo que tem de estar concluído, no máximo, até agosto de 2017.

Relógio em contagem decrescente para agosto de 2017

Há quatro propostas de compra mas as perspetivas de encaixe não se afiguram brilhantes. O Governo garante que não injeta mais capital no banco e até já admite a liquidação.

Até porque injeção de dinheiro é o que não falta ao Novo Banco.

Dos 4.900 milhões injetados pelo Fundo de Resolução da banca, 3.900 milhões foram emprestados pelo Estado. Cerca 700 milhões, resultaram de um empréstimo de um consórcio de oito bancos: Caixa Geral de Depósitos, BCP, BPI, Santander Totta, Montepio, Popular, BIC e Crédito Agrícola. O restante já estava no próprio fundo.

Até à data, o Fundo de Resolução pagou 251 milhões em juros mas renegociou agora as condições de reembolso. O prazo foi alargado um ano, passando para 31 de dezembro de 2017. A taxa de juro baixou de 2,9% para 1,25%.

Mais tempo e menos juros. Um efeito que acaba por ser um pequeno balão de oxigénio para o setor bancário. Para o défice do Estado o efeito é nulo, já que o custo do resgate está refletido na dívida pública.