O Movimento dos Emigrantes Lesados (MEL) do BES denunciou esta quinta-feira que muitos dos seus associados não receberam a informação simplificada sobre a solução comercial apresentada pelo Novo Banco para resolver o problema, quando falta um dia para tomarem uma decisão.

"A informação que temos é que, no dia de hoje, a proposta simplificada que foi pedida pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários) ao Novo Banco ainda não chegou a todos os clientes", afirmou à Lusa Luís Marques, porta-voz do MEL em Portugal.

O responsável admitiu que não é possível quantificar os emigrantes que estão nesta situação, mas disse que devem ser muitos, a julgar pelo grande número de telefonemas que o movimento tem recebido nos últimos dias.

Contactada pela Lusa, fonte oficial do Novo Banco escusou-se a tecer quaisquer comentários sobre a matéria.

No início do mês, a CMVM informou que o Novo Banco ia enviar um documento informativo simplificado com a solução comercial que o Novo Banco propôs aos clientes que compraram produtos BES, para reaverem as poupanças, até ao dia 08 de setembro.

"Todos os clientes terão a possibilidade de tomar uma decisão, incluindo a de reformular a sua decisão original, desde que a respetiva comunicação seja recebida no Novo Banco até às 24:00 horas do dia 18 de setembro de 2015", escreveu na altura o supervisor do mercado de capitais português.


Na altura, o MEL reagiu e considerou que a solução comercial que o Novo Banco propôs aos clientes não se adequa ao seu perfil de risco, sendo demasiado complexa.

Segundo disse então à Lusa Luís Marques, um dos dirigentes do MEL, os emigrantes lesados "não têm perfil para adquirir esses produtos" propostos pelo Novo Banco.

O responsável afirmou que o que essas pessoas sempre quiseram foi pôr as poupanças em "depósitos a prazo com capital e juros garantidos" e que na altura foram os gestores do BES que as aplicaram em séries de ações preferenciais, sem o seu conhecimento, e que agora são convidadas a pôr o dinheiro em produtos complexos.

Luís Marques afirmou que uma solução que passa pela subscrição de obrigações de longa duração do Novo Banco e em que os depósitos a prazo estarão condicionados ao valor dessas obrigações não é adequada ao perfil de risco dos emigrantes, em que alguns "têm apenas a quarta classe".

Criticou ainda que o Novo Banco peça aos clientes que aceitam essa proposta que "reconheçam que não compraram depósitos, mas ações preferenciais", naquilo que considerou uma confissão para evitar processos em tribunal.

O Novo Banco fez em julho uma proposta aos clientes não residentes que subscreveram séries comerciais sobre ações preferenciais comercializadas pelo BES para que venham a receber o capital investido, de forma faseada.

A solução comercial proposta pelo Novo Banco prevê a assinatura prévia dos clientes para que o Novo Banco e o Credit Suisse possam anular os veículos financeiros. Só depois será possível avançar com a proposta que garante pelo menos 60% do capital investido, e liquidez se essa for a opção, assim como um depósito anual crescente a seis anos, que prevê recuperar no mínimo 90% do capital investido.

A última informação dada pelo Novo Banco sobre o grau de adesão remonta ao final de agosto, quando a entidade liderada por Eduardo Stock da Cunha revelou que mais de 50% dos emigrantes aceitaram a proposta, o que corresponde a mais de 3.500 dos 7.000 clientes.

Ao total dos clientes em causa correspondem aplicações no valor global de 720 milhões de euros.

A Lusa solicitou ao Novo Banco a informação mais recente sobre o nível de adesão, mas fonte oficial disse que a entidade não fala sobre o assunto até os números estarem completamente fechados, o que só deverá acontecer mais para meados da próxima semana.