O ex-administrador financeiro da Rioforte, Gonçalo Cadete, reconheceu esta terça-feira no parlamento que o modelo do Grupo Espírito Santo (GES) trouxe «limitações relevantes» na autonomia financeira da empresa onde desempenhou funções.

«Existiam algumas limitações relevantes na autonomia da função financeira da Rioforte, que decorriam do modelo global do GES, e do facto de a Espírito Santo International (ESI) ser a sua acionista», revelou Cadete aos deputados da comissão de inquérito à gestão do BES e do GES, citado pela Lusa.

O responsável está a ser ouvido desde cerca das 09:00 no parlamento e pelas 12:00 respondia ainda ao primeiro bloco de questões dos deputados dos vários partidos.

A Rioforte, holding não financeira do GES, teve sempre a sua «gestão de tesouraria e definição de fontes de financiamento» centralizadas e coordenadas na ESI, vincou Gonçalo Cadete.

«Também a relação com os bancos era levada fora da Rioforte na perspetiva de exposição total dessas instituições ao GES», acrescentou ainda.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».