Luís Horta e Costa é administrador da ESCOM, a empresa do Grupo Espírito Santo que esteve envolvida na compra de submarinos ao consórcio alemão GSC, tendo explicado com algum detalhe como se fez a distribuição de prémios relacionados com esse negócio.
 
Sobre a suposta venda da ESCOM à Sonangol, que não veio a confirmar-se, «empurrou» responsabilidades para o GES, sobretudo para Ricardo Salgado.
 
Já sobre a hierarquia do GES e as responsabilidades no colapso do grupo, Horta e Costa não aceita que todos os dedos se apontem contra Salgado.
 
O resumo da audição em 8 pontos:

1- Ricardo Salgado tinha uma «atitude magnânima» e «habituou-se a tomar decisões sobre tudo», mas isto aconteceu por «omissão» de quem estava à sua volta, ou seja, por culpa de outros administradores do GES que não tiveram «coragem para o enfrentar»

2- Por isso mesmo, a culpa do GES ter «ido ao charco» não pode ser «de um só», mas de todos

3- O contrato da ESCOM com os alemães valeu 27 milhões de euros em prémios. Os cinco ramos da família Espírito Santo presentes no conselho superior do GES ficaram com 5 milhões (um para cada um), 16,5 milhões foram para os três administradores da ESCOM (o próprio Luís Horta e Costa, Pedro Neto e Hélder Bataglia) e para Miguel Horta e Costa, que propôs o negócio e serviu de consultor, e o restante foi «para a operação em si», com encargos como advogados, consultores financeiros [incluindo o BESI] e consultoria técnica, por exemplo. Os administradores do GES não tiveram de fazer nada para receber o dinheiro

4- Foi montado um «puzzle financeiro», engendrado por «todos», para fugir ao fisco com o valor destes prémios. O dinheiro foi parar a um fundo no Panamá até que o regime fiscal criado pelo Governo de José Sócrates o permitiu regularizar

5- Não houve corrupção no negócio dos submarinos, pelo menos no que diz respeito à sua empresa: «Nunca nenhum político ou detentor de um cargo público levou um tostão da ESCOM». Já em relação ao que o consórcio alemão pode ter pago em «luvas», não põe as mãos no fogo por ninguém

6- Houve um contrato de venda da ESCOM em 2010 a uma empresa que representava a Sonangol [a Newbrook]. Foi Ricardo Salgado a fazer «tudo o que podia e não podia» para a vender. A empresa ficou em «gestão corrente», mas os compradores nunca apareceram

7- A avaliação do valor da ESCOM foi feita pelo BESI, a pedido da Rioforte. «Os administradores nunca tiveram uma palavra a dizer» e discordavam dessa avaliação «um bocadinho salgada», segundo ironizou com um trocadilho com o nome de Ricardo Salgado

8- A ESCOM continua a existir e, supostamente, a ter como acionista maioritário o GES, através da ES Resources. A empresa tem 1200 postos de trabalho em Angola e passa por dificuldades. O próprio Horta e Costa não recebe salário desde agosto, ou seja, da medida de resolução que acabou com o BES

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