O presidente do Banco Comercial Português (BCP) considerou que o chumbo do BCP no cenário adverso do teste de stress europeu se deveu à data de referência do mesmo, sublinhando que não é uma questão de justiça ou injustiça, mas sim de calendário.

«A data foi a pior data possível. Em 2014 já estamos com muito mais receitas, muito menos custos e muito mais capital», afirmou o líder do BCP, Nuno Amado, durante a conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, em Lisboa.

Os testes de stress conduzidos pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) e integrados nos exames do Banco Central Europeu (BCE) à banca europeia tiveram o final de 2013 como data de referência.

«Não é uma questão de ser justo ou não. É datado. Em 2013, estávamos em profunda reestruturação», acrescentou, considerando que o chumbo, mais do que uma questão de justiça, é derivado do calendário.

Atualmente, defendeu o gestor, o BCP tem uma posição de liquidez e financiamento «perfeitamente equilibrada», ao mesmo tempo que diminuiu «imenso» a dependência do Estado.

«Estamos numa trajetória positiva que pensamos que se vai manter nos próximos trimestre», afirmou.

Conforme realçou o responsável, o BCP «vem de uma situação complexa e exigente e foi por isso que foi feito um plano de reestruturação». Mas, «quando se toma um remédio forte, o efeito não é imediato», ilustrou.

E concluiu: «2013 foi um ano mau, 2014 foi melhor e 2015 vai ser melhor ainda».

Clientes podem ter confiança no BCP

Nuno Amado, afirmou hoje que, apesar de a entidade ter chumbado no cenário mais adverso dos testes de stress europeus, os clientes podem ter confiança na solidez da instituição.

«Os clientes podem ter confiança em nós», garantiu o gestor, considerando que o BCP está hoje em dia mais forte do que no final do ano passado, a data de referência para os exames do Banco Central Europeu (BCE) e da Autoridade Bancária Europeia (EBA).

«As pessoas reconhecem que o BCP, que é um grande banco português ao serviço dos seus clientes, precisava de um plano de reestruturação profundo. O resultado dos testes de stress veio dizer que esse plano de reestruturação era realmente necessário», sublinhou.

E acrescentou: «Mas também vem dizer que estamos a melhorar a nossa situação».

Questionado durante a conferência de imprensa de apresentação das contas dos primeiros nove meses do ano sobre se o banco que lidera vai necessitar de fazer um novo aumento de capital, em virtude do resultado registado nas avaliações do BCE e da EBA, Nuno Amado foi categórico.

«Na nossa perspetiva, não há aumento de capital. Não temos intenção. Estou plenamente convencido que isso não ocorrerá», vincou.

Nuno Amado disse ainda que, depois de arrumada a casa, o regresso à rentabilidade é o próximo desafio do BCP.

«Temos a perspetiva de que em 2015 é o ano em que o BCP vai regressar aos lucros. Não tenho dúvidas disso», revelou.