As medidas do Banco Central Europeu (BCE), anunciadas esta quinta-feira, vão ajudar a Europa a combater a deflação e a falta de liquidez para suportar os investimentos, disse o ministro da Economia, António Pires de Lima, em Davos, na Suíça.

«Creio que as medidas que foram anunciadas pelo presidente do Banco Central Europeu, Mário Draghi, vêm ajudar a Europa a combater uma das ameaças que pairava no ar, que é a deflação e a falta liquidez para suportar uma estratégia de maior investimento», declarou Pires de Lima à agência Lusa por telefone, a partir de Davos.

O ministro português está a participar, entre quarta-feira e sábado, no Fórum Económico Internacional Mundial (WEF).

Pires de Lima afirmou que em Davos «há uma sensação de que a Europa, como um todo, precisa de um abanão, precisa de algumas mudanças, porque, ao contrário de outros continentes, América do Norte ou Ásia, está em estagnação económica» e sente-se «um ambiente de alguma apreensão ou dúvida relativamente àquilo que é o futuro da Europa».

O BCE anunciou esta quinta-feira um programa de compra de ativos num valor total superior a um bilião de euros até ao final de setembro de 2016, uma ação inédita destinada a contrariar o risco de deflação na zona euro.

O conselho de governadores «decidiu lançar um programa alargado de compra de ativos», anunciou o presidente do BCE, Mario Draghi, em conferência de imprensa. O programa, que prevê a compra de dívida pública e privada no valor mensal de 60 mil milhões de euros, estará em vigor pelo menos «até ao fim de setembro de 2016», totalizando assim 1,14 biliões de euros.

Este montante poderá, no entanto, ser ultrapassado uma vez que o BCE admite manter o programa ativo para lá desta data «até haver um ajustamento perene da trajetória da inflação em linha com o nosso objetivo de atingir uma taxa de inflação próxima, mas inferior a 2%».

Pires de Lima referiu que, em Davos, «o clima relativamente a Portugal é de muita confiança e respeito, por tudo aquilo que os portugueses conseguiram fazer ao longo dos últimos anos».

«Eu estive em Davos há um ano e ainda havia algumas dúvidas relativamente à capacidade de Portugal sair do programa cautelar, do crescimento da nossa economia. E, hoje, há um enorme respeito e confiança no caminho que Portugal está a fazer, na capacidade que o país, em circunstâncias extremamente adversas e difíceis, fazer o caminho que fez em coesão social», sublinhou.

Para o ministro, «isso é um argumento para convencer investidores a apostarem em Portugal muito importante, a estabilidade política, a maturidade do país e dos portugueses, é um argumento muito forte».

«Portugal está claramente colado ao caso de sucesso irlandês. É um país que está a recuperar, e eu creio que há sinais crescentes, felizmente, de confiança e capacidade de atrair investimento para Portugal», indicou Pires de Lima.

Mais de 2.500 participantes estão a debater «O novo contexto global» e os dez principais desafios que o mundo enfrenta na 45ª edição do Fórum Económico Internacional Mundial, em Davos.

Além de António Pires de Lima, marcam presença no encontro alguns empresários portugueses como Paulo Azevedo, da Sonae, e José Soares dos Santos e Henrique Soares dos Santos, da Jerónimo Martins.

De nacionalidade portuguesa, estará também António Guterres, na qualidade de Alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso (2004-2014) e o presidente executivo do Lloyds Bank, António Horta Osório.

Os participantes são representantes dos mundos político, económico, universitário e da sociedade civil provenientes de mais de 140 países.