A política monetária não é uma fonte de crescimento económico, sendo a promoção deste da responsabilidade dos políticos e dos governos, advertiu hoje o economista-chefe do Banco Central europeu (BCE), Peter Praet.

«Quero ser claro sobre os limites da política monetária», declarou Praet, quase duas semanas depois de o BCE ter decidido baixar a taxa diretora para 0,25%, um novo mínimo de sempre.

«O último recurso para fomentar o crescimento e o emprego não é uma política monetária acomodatícia, mas sim um ambiente competitivo e um sistema financeiro são», adiantou Praet, que falava no segundo dia da Semana Europeia da Finança de Frankfurt.

Praet defendeu que é por isso que os governos não devem descansar na política monetária «para evitar resolver os problemas» existentes.

Referindo-se à descida da taxa diretora do BCE, que não foi votada por unanimidade, Praet afirmou que o debate na reunião prévia à decisão se tinha centrado «no momento» oportuno da medida e não em divergências em relação à análise da situação, designadamente de que a inflação se iria manter baixa durante os próximos meses.

A taxa de inflação na zona euro foi de 0,7% em outubro, ou seja bem inferior ao objetivo de 2% fixado pelo BCE para assegurar a estabilidade dos preços.

Alguns membros do BCE preferiam esperar pelo mês de dezembro e pela divulgação de novas estimativas de crescimento e de inflação para agir, fizeram saber numerosos membros do BCE.