A banca da zona euro manteve a tendência de consolidação dos últimos anos em 2013, com o total de instituições de crédito a descer de 6.100 em 2012 para 5.948 em 2013, segundo o Banco Central Europeu (BCE).

«O processo em curso de consolidação do sistema bancário da zona euro continuou em 2013», assinalou a entidade liderada por Mario Draghi no Relatório sobre Estruturas Bancárias de 2014, hoje divulgado, especificando que o número total de instituições de crédito desceu para 5.948 em 2013, abaixo das 6.100 em 2012 e das 6.690 em 2008, escreve a Lusa.

Paralelamente, o BCE apontou para a tendência de racionalização do setor bancário da zona euro, que «sugere que a eficiência em termos gerais do sistema continua a ser melhorada».

Os ativos totais dos bancos nos países da moeda única europeia baixaram para 26,8 biliões de euros, contra 29,6 biliões de euros em 2012 e 33,5 biliões de euros em 2008, «em grande parte devido aos desenvolvimentos relativos aos grandes bancos, com a redução nas posições em instrumentos derivados a ser responsável por cerca de metade do encolhimento total do balanço», realçou o BCE.

«Isto reflete em larga medida a recuperação em curso dos balanços e a desalavancagem dos ativos não estratégicos que lhe está associada», sublinhou.

A entidade com sede em Frankfurt salientou ainda que «os setores bancários dos países da zona euro mais afetados pela crise financeira também experimentaram as mudanças estruturais mais pronunciadas».

Quanto aos passivos e padrões de financiamento dos bancos, a mudança gradual para o financiamento através dos depósitos captados continuou em 2013, com a quota média dos depósitos de clientes nos passivos a subir para 52%.

A par deste movimento, os bancos da zona euro reduziram a sua dependência do financiamento por grosso, com a quota média a baixar dos 36% do pico em 2009 para 23% em 2013.

Os bancos também reduziram a sua dependência relativamente ao financiamento do BCE em 2013, refletindo em grande medida os repagamentos dos fundos LTRO.

Já a rendibilidade «continua a ser testada» no setor, frisou o BCE, explicando que a mesma tem sido afetada pelo ambiente de baixas taxas de juro, pela contínua deterioração da qualidade dos ativos e, nalguns casos, pelos custos ligados à reestruturação ou à litigação judicial.

Ainda assim, o resultado operacional cresceu marginalmente e os setores bancários em todos os países evitaram prejuízos operacionais.

O BCE destacou que os rácios de capital regulatórios para os bancos da zona euro continuaram a melhorar em 2013 devido quer a aumentos de capital, quer à queda dos ativos ponderados pelo risco.

O rácio 'core tier 1' médio subiu para 13% face aos 12,1% em 2012.

«O relatório mostra que o setor bancário europeu continua a desalavancar. Isto foi abafado pelo aumento significativo da chamada atividade da banca sombra, que tem que ser observado», afirmou Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE.