O presidente da ESCOM, Helder Bataglia, disse esta terça-feira, na comissão de inquérito ao Banco Espírito Santo e ao Grupo Espírito Santo, que o financiamento da empresa do GES que se dedica a negócios imobiliários e à extração de diamantes em Angola, vinha «fundamentalmente» do BES.

O banco de Ricardo Salgado financiou a ESCOM em «300 e muitos milhões de dólares», segundo Helder Bataglia  Não só em empréstimos, mas também sob a forma de obrigações, indicou.

Já o BESA financiava menos, mas o presidente da ESCOM não referiu valores, adiantando apenas que o dinheiro emprestado pelo banco angolano era para «a atividade normal, do dia-a-dia». 

«A ESCOM nunca foi capitalizada. Sempre viveu do crédito, do financiamento bancário. Quando nos metemos no setor da prospeção de diamantes, podíamos ter a sorte e a fortuna de ter encontrado reservas, mas podíamos não ter encontrado. Só em prospeção devemos ter gasto 300 milhões de dólares.  Em abono da verdade, já por volta de 2005, o Dr. Ricardo Salgado me dizia que seria muito difícil apoiar a ESCOM dada a necessidade de capital que a empresa tinha»

Daí a necessidade de procurar sócios. O «grande problema» era de capitalização e começou em 2006/2007. Foi feito um road-show, depois de terem sido retirados ativos menos bons para a Legacy, outra empresa vendida mais tarde por apenas três dólares. Bataglia assegurou que só soube disso sete anos depois.

O presidente da ESCOM explicou que nunca participou em reuniões sobre a venda da empresa a que presidia, à Sonangol, mas preparou o contrato que, garante, era de «compra e venda» e não de promessa de compra e venda. Uma dúvida que foi ficando patente em várias audições desta comissão de inquérito. 

Aos deputados, Helder Bataglia confirmou, ainda, os prémios de 27 milhões de euros no negócio dos submarinos, que a ESCOM distribuiu por acionistas, administradores e pelos membros do conselho superior do GES. Foram, mesmo, «um bónus». Ao Parlamento, chegará uma «lista exaustiva» sobre quem recebeu, quanto e o quê

Já sobre o BESA, de quem também foi administrador, tendo chegado mesmo a sócio do banco liderado por Álvaro Sobrinho até 2012, Bataglia teceu elogios ao ex-presidente do BES Angola, dizendo que Sobrinho fez «um trabalho extraordinário» e que o próprio Ricardo Salgado o considerava um «grande banqueiro». Recorde-se que Salgado afastou-o dos comandos do banco por ter, alegadamente, encontrado uma «situação pavorosa».