A OPEP reviu esta segunda-feira em alta a estimativa de crescimento anual da procura mundial em 2015 para 1,60%, contra uma previsão de 1,51% há um mês, anunciou a organização.

Com esta revisão, a Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) prevê que a procura atinja 92,79 milhões de barris por dia, mais 1,46 milhões de barris por dia ou 1,60% do que em 2014.

No relatório mensal referente a agosto e hoje divulgado, a OPEP sublinha que esta correção em alta, de mais 84.000 barris por dia, "reflete dados da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento] melhores do que o esperado".

Em sentido contrário, os especialistas da OPEP reviram em baixa, menos 50.000 barris por dia, a previsão do aumento anual da procura em 2016 para 1,39% (1,29 milhões de barris por dia), contra 1,44% (1,34 milhões de barris por dia) estimado em agosto.

O resultado é uma revisão líquida em alta, de 34.000 barris por dia, para os próximos 16 meses, com um consumo total de 94,08 milhões de barris por dia para o próximo ano.

A organização também corrige em alta a procura mundial do petróleo dos 12 países membros da OPEP, fixando esta em 29,3 milhões de barris por dia em 2015, mais 100.000 barris por dia do que o previsto em agosto, e em 30,3 milhões de barris por dia em 2016 (mais 200.000 barris do que há um mês), ou seja um crescimento anual de um milhão de barris por dia.

Apesar destes cálculos implicarem em 2016 mais do que a quota de produção conjunta da OPEP, fixada em 30 milhões de barris por dia, a denominada "procura da OPEP" é amplamente superada pela oferta atual da organização.

Segundo dados da OPEP, a organização produziu em agosto 31,54 milhões de barris por dia, mais 13.200 milhões de barris por dia do que no mês anterior e um novo máximo de extração.

Por outro lado, a OPEP reviu em baixa a produção de petróleo de países não membros da OPEP, principalmente devido a uma produção dos Estados Unidos menor que a prevista.

O excesso da oferta mundial de petróleo face a uma procura moderada, que provocou a queda dos preços desde meados do ano passado, também se reflete nas reservas comerciais de petróleo nos países industrializados da OCDE.

Em julho, aquelas reservas aumentaram para 2,93 milhões de barris por dia, mais 202 barris por dia do que a média dos últimos cinco anos, fazendo com que o período que permitiria satisfazer as necessidades energéticas dos referidos países aumentasse para 63,3 dias, quase mais cinco dias do que a média dos últimos cinco meses.

O barril de referência da OPEP desceu em agosto para níveis não registados há mais de seis anos, tendo o preço médio atingido 45,46 dólares, devido à evidência de uma oferta abundante e ao medo de uma redução da procura resultante das turbulências dos mercados financeiros chineses e de recessões em economias emergentes como o Brasil e a Rússia.

"Os desenvolvimentos recentes da economia mundial provocaram uma revisão em baixa do crescimento para 3,1% em 2015 e 3,4% em 2016", explica o relatório da OPEP.

"Enquanto o grupo de economias emergentes e em desenvolvimento foram o principal motor do crescimento nos anos recentes, tornou-se claro que o crescimento neste grupo de países está a desacelerar", adianta.