A Soflusa vai reforçar esta quarta-feira a sua frota a partir das 17:00 com o navio “Cesário Verde”, anunciou a empresa em comunicado.

Na sexta-feira, a Soflusa fez saber que não iria conseguir assegurar esta semana todas as carreiras entre Lisboa e o Barreiro, por "indisponibilidade da frota".

Na segunda-feira, a empresa anunciou que suprimiu oito carreiras na hora de ponta da manhã por só dispor de quatro navios operacionais.

Nesse dia, e após vários incidentes registados no cais do Barreiro, com os utentes a forçarem a entrada na zona de embarque, a administradora da empresa de transporte fluvial, Marina Ferreira, apelou aos passageiros para que evitassem deslocações entre as 08:00 e as 09:00, explicando que as restrições orçamentais dos últimos anos impediram a regular manutenção dos barcos, que está agora a ser feita.

Segundo a Federação de Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), esta semana a empresa está a trabalhar apenas com quatro navios, quando costuma ter seis operacionais.

Entretanto, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) iniciou esta quarta-feira uma ação de fiscalização à Soflusa.

Na sequência das repetidas quebras na oferta da Soflusa, reconhecidas ontem [terça-feira] pela administração da empresa, e indo ao encontro de uma iniciativa que já estava a ser preparada, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, face às atribuições previstas nos respetivos estatutos, iniciou hoje uma ação fiscalizadora”, afirmou uma fonte oficial à agência Lusa.

Segundo a mesma fonte da AMT, “em causa está a proteção dos direitos dos passageiros”.

A AMT tem por missão regular e fiscalizar o setor da mobilidade e dos transportes terrestres, fluviais, ferroviários, e respetivas infraestruturas”, assumindo a “proteção dos direitos e interesses dos consumidores e de promoção e defesa da concorrência”, nomeadamente nos setores privado e público.

Ministro diz que situação é muito constangedora 

O ministro do Ambiente penitenciou-se e reconheceu ser “muito constrangedor” a situação vivida pelos utentes da ligação fluvial entre o Barreiro e Lisboa.

Neste momento esta é uma dor de cura, pela qual nos penitenciamos, gostaria que assim não fosse, não vou dizer que é indiferente uma coisa destas, em situação alguma. É muito constrangedor o que está a acontecer, estamos todos muito constrangidos com isto. Apelamos à compreensão de todos, sobretudo, porque, repito, são dores de cura e a situação vai melhorar”, afirmou João Pedro Matos Fernandes.

O ministro do Ambiente, que tutela os transportes urbanos, falava aos jornalistas à margem da sessão de lançamento do Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050, na Culturgest, em Lisboa.

Não tenham a mais pequena dúvida, que se não estivéssemos a fazer este esforço grande de investimento de dez milhões de euros na recuperação da frota dos navios da Transtejo e da Soflusa, os problemas seriam muitíssimo mais graves num tempo mais próximo”, frisou o governante.

Para o ministro do Ambiente, este processo de manutenção da frota é essencial para que, futuramente, a empresa possa cumprir os compromissos e os serviços assumidos.

“Isto são dores de cura, no sentido em que um conjunto alargado de navios está a ser reparado, alguns já foram, os outros dois que faltam estão agora a entrar em doca seca. Mas ficamos com um volume estável de seis navios que são o necessário para poder cumprir as nossas obrigações, incluindo em hora de ponta”, sublinhou Matos Fernandes.

Segundo o ministro do Ambiente, chegou-se a este ponto devido ao “desinvestimento continuado” em manutenção das frotas levado a cabo pelo anterior Governo, designadamente ao nível do transporte fluvial.

O governante deixou, contudo, uma garantia:

O que dissemos em maio ou junho foi que a estabilidade da operação iria acontecer em 2018, e isso está assegurado, com a certeza de que estes navios quando têm de ser reparados e têm de ir para uma doca seca, têm de facto, às vezes, de ficar alguns meses em estaleiro para poder ser reparados."