O Banco de Espanha dá como perdidos 26,3 mil milhões de euros na ajuda à banca, segundo noticia o El País. E, até ao momento, ainda só foi recuperado 5% do dinheiro emprestado, que totalizou 51,3 mil milhões. 

Se aos 26,3 mil milhões dados como perdidos juntarmos outros valores irrecuperáveis colocados pelos bancos, de 11,7 mil milhões, no total estão mais de 38 mil milhões de euros. Dinheiro usado para limpar os balanços das instituições financeiras e que os contribuintes, via clientes bancários, não vão conseguir ver reembolsados.

O Governo tinha prometido que os espanhóis não iriam ser chamados a pagar o reequilíbrio financeiro dos bancos, segundo o jornal não será bem assim. Os 26,3 mil milhões de euros que o supervisor interno da banca dá como perdidos equivalem a 2,6%. Para se ter uma ideia da dimensão, durante a crise só os cortes na educação e na saúde alcançaram os 16 mil milhões. 

A venda do Bankia é, por isso, muito importante, uma vez que estão em causa 22,4 mil milhões de dinheiro público. Ainda falta que o negócio se concretize, mas as fontes do setor consultadas pelo El País não acreditam, desde já, que seja possível recuperar o investimento todo.

Como pode explicar-se um buraco de tão grandes dimensões? Antoni Garrido, professor de Economia Aplicada na Universidade de Barcelona, explicou que o sistema é focado "quase em excluviso nos empréstimos, o que gerou enormes perdas". Outro fator é "a demora em atacar problemas de solvência, o que agravou ainda mais a situação, porque as dúvidas sobre a real situação das entidades pioraram a economia".

Se há quem aponte o ambiente económico e as baixas taxas de juro como problemas na base do que se está a passar, o consultor e ex-presidente-executivo do Banco de Espanha, Aristobulo de Juan, entende que o caso espanhol é diferente. Há outras questões, como o facto de a recapitalização de que os bancos foram alvo ter sido feita para "compensar o buraco existente, para não deixar as entidades numa situação flutuante", mas não foram pensadas para uma recuperação que chegasse como "um milagre". 

A situação política do país, recorde-se, também já teve melhores dias. O impasse na formação de governo dura há quase meses e há novas eleições à vista