As últimas revelações sobre as práticas do banco HSBC para favorecer a evasão fiscal podem custar caro ao banco britânico, agora pressionado nos EUA para apresentar contas, depois da Europa.

Os meios de comunicação do mundo inteiro noticiaram uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ), batizada SwissLeaks, realizada na base de ficheiros do banco na Suíça, roubados em 2007 por um dos seus antigos empregados, o informático franco-italiano Hervé Falciani, recorda a Lusa.

Estes ficheiros contêm informações sobre mais de cem mil clientes e mostram como o maior estabelecimento bancário europeu ajudou alguns daqueles a esconder milhares de milhões de dólares para evitarem pagar impostos.

A imprensa suíça explicou hoje como os banqueiros do HSBC Suisse se deslocaram a pelo menos 25 países em quatro continentes para se reunirem, com toda a discrição e frequentemente de forma ilegal, com os seus clientes que aplicaram fundos não declarados.

No início da semana, o HSBC admitiu «falhas», mas garantiu que essas práticas pertenciam ao passado.

Esta publicação suscitou uma série de reações na Europa como nos EUA, onde os dirigentes políticos apelaram a mais severidade.

«As recentes revelações sobre as práticas do HSBC, consistentes em proteger os indivíduos das leis americanas (dos EUA) ou de outros países, são as últimas de uma lista longa e perturbante de más práticas feitas pelo banco», declarou Maxine Waters, congressista dos EUA.

«Enquanto o HSBC pagou milhares de milhões de dólares em multas nos EUA e outros países, sinto-me ultrajado que nenhum indivíduo tenha sido processado em justiça ou responsabilizado», insistiu este político democrata.

O HSBC está com cautela nos EUA onde não está ao abrigo de processos judiciais, apesar de um acordo concluído em 2012 com as autoridades, para que estas acabassem com processos num assunto de lavagem de dinheiro em troca de uma multa de 1,92 mil milhões de dólares (1,70 mil milhões de euros).

Este acordo não garante «qualquer proteção contra acusações» posteriores fundadas em outros factos, preveniu a procuradora nova-iorquina Loretta Lynch, que supervisionou o acordo e foi designada para ser a próxima ministra da Justiça dos EUA.

Dos 106 mil clientes identificados pelo inquérito SwissLeaks, cerca de 5.200 são dos EUA e teriam aplicado cerca de 13,2 mil milhões de dólares na Suíça entre novembro de 2006 e março de 2007, segundo o sítio do ICIJ, que coordenou a investigação.

No Reino Unido, os deputados da comissão das contas públicas da Câmara dos Comuns também já anunciaram a abertura de um inquérito sobre este conglomerado bancário para esclarecer as suas práticas.

O secretário de Estado do Orçamento francês, Christian Eckert, expressou na terça-feira o desejo de ver o banco condenado num processo que decorre desde novembro.

No mesmo sentido, um juiz de instrução belga, que condenou o HSBC Private Bank em novembro por fraude fiscal e lavagem de dinheiro, defendeu, por sua parte, a emissão de mandados de captura internacionais contra os seus dirigentes.