O BES corre o risco de perder o controlo do BES Angola, já que o supervisor bancário angolano obrigou a entidade a um «reforço substancial» dos seus capitais e o banco português poderá não ter condições de acompanhar a operação.

«O Banco Nacional de Angola informou o BES Angola da necessidade de este proceder a um reforço substancial dos seus capitais, tendo solicitado que o BES Angola inquirisse os seus acionistas sobre as possibilidades e condições em que tal reforço de capitais poderia por eles ser realizado», lê-se no relatório relativo às contas semestrais do Banco Espírito Santo (BES).

«Caso o BES decida não acompanhar este aumento, no todo ou em parte, poderá deixar de ter uma participação de controlo e/ou esta ser diluída para uma participação em que deixa de fazer consolidação integral do BES Angola», acrescentou a entidade agora liderada por Vítor Bento.

O BES garantiu que «está em contacto com as autoridades regulatórias angolanas e portuguesas, no sentido de ser encontrada uma solução conveniente aos interesses das autoridades angolanas e que salvaguarde os interesses do BES e dos seus acionistas». E realçou que «a garantia soberana prestada pelo Estado Angolano mantém-se válida».

O prejuízo apurado no BES Angola no semestre elevou-se a 355,7 milhões de euros, sendo que, face à participação de 55,7% detida pelo BES, o prejuízo atribuível ao banco português é de quase 200 milhões de euros (198,2 milhões de euros).

O BES apontou para «ajustamentos às demonstrações financeiras desta filial», devido à análise realizada pela nova equipa de gestão do BES Angola sobre a carteira de crédito, que levou à identificação de 247,2 milhões de euros de juros incobráveis que, consequentemente, foram anulados.

«Porque a totalidade dos juros estava provisionada, procedeu-se à correspondente reversão de provisões no montante de 227 milhões de euros», informou o BES.

No entanto, «e decorrente da inspeção promovida pelo Banco Nacional de Angola, o BES Angola realizou reforços no segundo trimestre no montante total de 303,1 milhões de euros», um valor líquido de reposições de 76,1 milhões de euros, fazendo elevar o reforço no semestre para 146 milhões de euros.

Soma-se o registo de uma provisão de 69,4 milhões de euros «para contingências fiscais devido a possíveis diferenças de interpretação da aplicação de certas disposições do Código do Imposto Industrial local», frisou o BES.

«A nova equipa de gestão do BES Angola, por prudência, decidiu não reconhecer ativos por impostos diferidos por reporte de prejuízos fiscais», sublinhou o banco português.

A exposição total do BES ao BES Angola ascende a 3,88 mil milhões de euros, divididos da seguinte forma: participação financeira (273 milhões de euros), mercado monetário (3.330,4 milhões de euros), créditos documentários (276,1 milhões de euros) e garantias prestadas (700 mil euros).