O até agora secretário de Estado Sérgio Monteiro vai integrar o Fundo de Resolução bancário para liderar a venda do Novo Banco, disse esta quinta-feira o Banco de Portugal em comunicado.

O banco central justificou a decisão afirmando que "a complexidade e os desafios associados ao processo da venda do Novo Banco" levaram à "necessidade de encontrar um responsável de reconhecido mérito e elevada experiência em operações desta natureza que pudesse assegurar a coordenação e gestão de toda a operação, incluindo o acompanhamento do programa de transformação a implementar pelo Novo Banco, que é condição essencial para a sua venda”.

O atual Secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicação vai então “assumir a responsabilidade de PMO (Project Management Office) do projeto, estando prevista a sua contratação pelo Fundo de Resolução em articulação com a Associação Portuguesa de Bancos”.

A informação do regulador e supervisor bancário confirma, assim, a notícia hoje avançada pelo Público no seu ‘site’.

Antes de ir para o Governo como secretário de Estado, Sérgio Monteiro - que é licenciado em Organização e Gestão de Empresas pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra – estava no Caixa - Banco de Investimento, que pertence ao grupo Caixa Geral de Depósitos.

O governante foi o responsável, nos últimos anos, por várias operações de privatização, caso de ANA – Aeroportos de Portugal, CP Carga e TAP (ainda não concluída) e da entrega a privados dos transportes públicos do Porto (STCP e Metro do Porto).

Liderou também o processo de subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris, cujos contratos ainda não receberam ‘luz verde’ do Tribunal de Contas.

Nos últimos quatro anos como governante, Sérgio Monteiro bateu-se ainda pela renegociação das Parcerias Público-Privadas (PPP) rodoviárias, com o objetivo de poupar dinheiro aos cofres públicos. Até ao momento, apenas cinco contratos estão aprovados pelo Tribunal de Contas.

Quanto ao Novo Banco, cuja venda o secretário de Estado vai liderar enquanto membro do Fundo de Resolução, este esteve em processo de venda até meados de setembro, quando o Banco de Portugal decidiu cancelar a operação após falhadas as negociações com os três candidatos que chegaram à fase final.

O regulador e supervisor bancário deu então instruções ao presidente executivo do Novo Banco, Stock da Cunha, para reestruturar a instituição com vista a uma venda futura.

O Novo Banco resultou da intervenção, em agosto de 2014, do Banco de Portugal no ex-Banco Espírito Santo (BES).

O BES, tal como era conhecido, acabou a 03 de agosto de 2014, quatro dias depois de apresentar um prejuízo semestral histórico de 3,6 mil milhões de euros.

O Fundo de Resolução bancário, gerido pelo Banco de Portugal, foi a entidade responsável por capitalizar o Novo Banco (incluindo com 3,9 mil milhões de euros de um empréstimo do Estado), sendo assim o atual dono da entidade bancária.

O administrador executivo do Grupo Santander admitiu hoje à Lusa fazer uma nova proposta para comprar o Novo Banco, caso o processo de venda volte a estar em cima da mesa.

Recorde-se que a venda do Novo Banco foi cancelada a 15 de setembro. Agora, e de acordo com o que a TVI apurou, vai ser aberto um segundo concurso, com regras mais flexíveis: deixa de ser obrigatória a venda a 100% e a instituição pode ser vendida a mais do que um investidor.