O governador do Banco de Portugal considerou esta quarta-feira uma prioridade mostrar que as contas dos bancos portugueses não são uma «fotomontagem» e que estes tentem atrair «investidores estratégicos» que injetem capital.

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Numa palestra no Fórum Oficial das Instituições Monetárias e Financeiras (OMFIF na sigla inglesa), em Londres, Carlos Costa disse ter a preocupação em «mostrar que as contas [dos bancos portugueses] são o espelho da realidade» para conquistar credibilidade.

«A minha principal preocupação é assegurar aos investidores e aos mercados que as contas não sejam o resultado de qualquer fotomontagem [Photoshop technique], como resultado de uma implementação que possa [afetar] a contabilidade e a avaliação do desempenho aos bancos», vincou.

A instituição que dirige tem vindo a trabalhar neste sentido, defendeu, forçando os bancos nacionais não só a reforçar o capital, mas também a reavaliar os ativos em carteira e a incorporar as imparidades e a refleti-las nas suas contas, assegurou.

«As auditorias externas que estamos a fazer são a melhor garantia de que esta imagem está em linha com a realidade», disse, perante uma sala lotada com muitos representantes de instituições financeiras com sede no centro financeiro londrino.

Esta transparência será benéfica para atrair os investidores estratégicos - outro aspeto que Carlos Costa considera importante para os bancos portugueses - pois afastará os receios de problemas herdados do passado.

«Se houver um risco, será um risco futuro. Mas esse risco, em Portugal, onde estamos perante o princípio da recuperação [económica], será mais baixo do que foi antes porque estamos, espero, no sentido ascendente do ciclo», vincou.

Atrair «investidores estratégicos que possam trazer novo capital às instituições» foi um dos três desafios identificados por Costa, que considera que a entrada na estrutura acionista de um parceiro com melhor avaliação junto das agências de rating trará benefícios imediatos.

Os bancos portugueses, afirmou, «estarão numa melhor posição para securitizar e vender os seus bens. Esta é uma das vantagens alcançada se chegar um parceiro e adquirir uma participação importante. Fará estes bancos mais atrativos», vincou.

Os testes de stress do Banco Central Europeu a quatro bancos portugueses (BCP, CGD, BPI e Grupo Espírito Santo), acrescentou, são outra componente na restauração da confiança dos investidores nos bancos da zona euro e nas suas contas.

Porém, defendeu que as regras de avaliação «devem ser mostradas antes do exercício, de forma a obter consenso sobre a sua qualidade e para não voltar à [situação] de só se mostrar a metodologia depois dos resultados».