A administração do BCP tardou em responder aos apelos do Banco de Portugal (BdP) sobre a titularidade das ações do banco que estavam nas contas de várias sociedades 'offshore', disse esta segunda-feira em tribunal Carlos Lopes, legal adviser do supervisor.

«O BCP fez tudo para esconder a titularidade das ações», afirmou a testemunha na última sessão, antes do início das férias judiciais, do julgamento que opõe o Ministério Público a quatro antigos administradores do BCP, entre os quais o fundador Jardim Gonçalves.

Segundo Carlos Lopes, apesar das várias tentativas feitas pelo Banco de Portugal, ainda em 2002, para apurar junto da gestão do BCP a titularidade das ações do banco que estavam nos veículos sedeados nas Ilhas Caimão, o banco demorou a enviar respostas sobre a matéria.

«Não foi prestada qualquer informação sobre as 17 sociedades 'Cayman'. E, sobre a titularidade das carteiras de ações próprias, o banco foi respondendo que não sabia, que ia saber e que informaria quando soubesse», revelou a testemunha.

«Acho estranho que o BCP não soubesse. Sobretudo, quando estão em causa instituições do próprio grupo. É expectável que uma instituição de crédito não demore três meses a descobrir esta informação», alegou.

E reforçou: «Acho excessivo que o BCP tenha demorado vários meses a entregar essa informação».