O Banco de Portugal terá avisado Ricardo Salgado para os riscos de insolvência da Espírito Santo Internacional, em dezembro do ano passado, revela o jornal i. A carta do regulador bancário data de 3 de dezembro.

Na missiva, o BdP dizia estar «surpreendido» com o aumento da dívida da ESI e deu 27 dias a Ricardo Salgado para resolver os problemas financeiros do grupo.

Até 31 de dezembro do ano passado, o Grupo Espírito Santo tinha de criar uma conta bancária com o montante equivalente à dívida da ESI, ou seja, com cerca de 1700 milhões de euros.

Ricardo Salgado terá protestado junto do Banco de Portugal. E a 17 de dezembro foi constituída uma linha de crédito de apenas 750 milhões de euros. Mas o regulador nega «qualquer redução no grau das exigências» do supervisor.

Em julho, o BdP continuava a afirmar que que a situação do banco estava sólida e que não havia risco sistémico. Até essa data nunca tinha sido revelado que o grupo não tinha cumprido grande parte do plano que lhe havia sido imposto.

O Grupo Espírito Santo não cumpriu o plano do BdP, mas só seis meses depois o BES foi resgatado e a família Espírito Santo afastada da gestão.