O grupo de trabalho criado para compensar os clientes lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo disse hoje que está "muito perto" de uma solução, mas que ainda falta concretizar a forma como será feita a compensação.

"O grupo de trabalho faz uma avaliação positiva do esforço já desenvolvido e acredita estar muito perto de se achar em condições para apresentar os termos de uma possível solução", de acordo com o comunicado divulgado à Lusa pelas três partes envolvidas nas negociações - a associação que representa os clientes lesados, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e o Banco de Portugal, que acrescenta que essa solução "ainda carece de algum trabalho de concretização".

A informação refere ainda que durante o mês de maio essa solução "poderá vir a ser colocada à consideração dos destinatários, para que estes a avaliem individualmente e expressem a vontade de a aceitar, ou não".

Não é avançado, contudo, de onde virá o dinheiro para compensar esses investidores, nem de como será definido o montante que cada um poderá receber.

Em causa estão 2.084 subscritores de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), comprado aos balcões do BES, que reclamam 432 milhões de euros dados como quase completamente perdidos aquando da 'implosão' do grupo, no verão de 2014.

O grupo de trabalho para os lesados do papel comercial do GES foi criado no âmbito do Memorando de Entendimento subscrito em 30 de março, na presença do primeiro-ministro, António Costa.

Desde então, Banco de Portugal, CMVM e a Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial têm-se reunido com regularidade para encontrar uma solução que permita aos clientes recuperarem pelo menos parte do montante investido em papel comercial das empresas Espírito Santo International e Rio forte, comprado aos balcões do BES.

Apesar de, desde 2014, os clientes de retalho que se consideram lesados pelo papel comercial do GES terem vindo a desenvolver várias ações para recuperar o dinheiro investido, este tema ganhou ênfase depois de, em fevereiro, o primeiro-ministro ter censurado publicamente o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, por estar "a arrastar" uma solução para o problema.

O Governo assumiu este tema como prioridade, por considerar que está em jogo a reposição da confiança no sistema financeiro.