Já há bancos a oferecer uma remuneração de 0% aos clientes nos depósitos de curto prazo. Banif, BPI e Novo Banco são, para já, os três bancos que não oferecem remuneração aos clientes, escreve o Dinheiro Vivo.

Agora que conseguem financiar­-se junto do BCE a taxas negativas, os bancos não têm interesse em captar poupanças de curto prazo e «empurram os clientes para outras alternativas», explica Filipe Garcia, economista da IMF.

Nos prazos mais curtos, até as melhores taxas são bastante baixas. O melhor que consegue é 0,9% (ActivoBank). A maior parte propõe remunerações próximas de zero.

Em média, um depósito de 5000 euros a um ano rende 0,7% líquidos, ou seja, tanto quanto a inflação para este ano.

Ou seja, boa parte dos depósitos atuais deverá proporcionar rendimentos reais negativos, especialmente nas grandes instituições, que têm atualmente taxas bastante baixas, alerta a DECO.

Os «depósitos indexados» são outra alternativa, refere Filipe Garcia. São depósitos indexados com uma remuneração associada à evolução de outros instrumentos como, por exemplo, ações.

Também com garantia, mas do Estado, são os Certificados do Tesouro, «que ainda oferecem uma taxa líquida de 1,6%, em média, durante os próximos cinco anos», salienta o economista da Proteste Invest.

A Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros considerou «péssimo para os depositantes particulares» o facto de vários bancos não remunerarem os depósitos a prazo, embora os clientes sejam obrigados a pagar comissões.

Em declarações à Lusa, António Júlio de Almeida, membro da direção da Associação Portuguesa de Consumidores e Utilizadores de Produtos e Serviços Financeiros (SEFIN), afirmou que o facto da taxa de juro negativa ou zero, que os bancos estão a oferecer aos seus depositantes, também não agrada aos bancos, embora seja mais lesiva para os depositantes.

«Evidentemente é péssimo para os particulares que depositam, mais grave para o caso dos particulares que não só não recebem taxas de juro, como também têm de pagar por emprestar dinheiro aos bancos, quando estes cobram comissões de gestão estão a querer que as pessoas ponham lá dinheiro e paguem ao banco», sublinhou o mesmo responsável.

Crédito à habitação também está mais barato

Do outro lado da moeda, está o crédito à habitação mais barato, devido ao financiamento mais barato junto do Banco Central Europeu.

Na sexta-feira, por exemplo, o Santander decidiu cortar para abaixo do patamar de 2% o spread nos empréstimos. A taxa desceu para 1,99% tanto nos novos contratos como nas transferências de outros bancos.

A taxa mais baixa para todos os clientes, no entanto, pertence à CGD, com 1,75%. O banco do Estado foi o primeiro a colocar o spread abaixo dos 2%. Ligeiramente acima, o Crédito Agrícola disponibiliza uma taxa de 1,8% para todos os clientes.