A Moody’s considera que a proposta da Fosun para comprar parte do BCP enquadra-se na estratégia do grupo chinês e pode servir de porta de entrada para o setor financeiro na Europa e África.

Este fim de semana foi conhecido que o grupo de investimento chinês Fosun propôs comprar 16,7% do capital do BCP, por um preço que deverá ser de 236 milhões de euros, e que poderá reforçar posteriormente a sua participação "para entre 20% a 30%".

Também este fim-de-semana, o grupo propôs comprar 86,08% da farmacêutica indiana Gland Pharma.

Segundo a Moody’s, uma das três maiores agências que avaliam o risco de crédito, estas duas intenções de compra “não afetam imediatamente” o 'rating' da Fosun, atualmente em Ba3, mas estão em linha com “as operações estratégicas do Grupo".

Quanto ao negócio em Portugal, dizem os analistas da Moody's que a Fosun deverá usar o BCP como “plataforma para expandir o negócio para Europa e África”.

No sábado, o BCP informou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de que a Fosun quer comprar 16,7% do capital do banco.

"A Fosun considera ainda aumentar a sua participação através de operações em mercado secundário ou no contexto de aumentos de capital futuros, com vista ao potencial aumento da participação social da Fosun no BCP para entre 20% a 30%", referia ainda o comunicado.

O BCP reconhece que a proposta da Fosun tem "interesse estratégico potencial" para o banco português, apesar das incertezas que ainda rodeiam a concretização do negócio.

A entrada de capital da Fosun no BCP poderá ajudar o banco a fazer a devolução de 225 milhões de euros em obrigações de capital contingente (as chamadas ‘CoCos’), reembolso que o banco já pediu para fazer mas para o qual aguarda autorização das autoridades. Atualmente, o banco ainda deve ao Tesouro um total de 750 milhões de euros, pelos quais paga juros anuais.

No final de 2015, o BCP tinha como principais acionistas a petrolífera angolana Sonangol (17,84%), o banco espanhol Sabadell (5,07%), o grupo EDP (2,71%), o grupo Interoceânico (2,05%) e o fundo norte-americano Blackrock (2,22%).

Quanto ao grupo Fosun, este já detém em Portugal a seguradora Fidelidade e o grupo de prestação de cuidados de saúde Luz Saúde.