O Banif anunciou esta sexta-feira ter recomprado 125 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCo¿s), devolvendo o valor injetado pelo Estado no banco no início do ano passado.

Em comunicado divulgado hoje na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o Banco Internacional do Funchal informa que concretizou a compra na sequência da autorização do Banco de Portugal.

A operação já tinha sido autorizada pelo Banco de Portugal no final de dezembro de 2013.

Em janeiro do ano passado, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, ficando como acionista maioritário, sendo que 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas 'CoCo bonds', pelas quais o banco paga um juro anual que começa a 9,5%.

Em troca, o Banif ficou obrigado a fazer um primeiro pagamento de 150 milhões de euros ao Estado (o que aconteceu em agosto passado), para recomprar parte das ¿CoCo¿, e mais 125 milhões de euros.

Ainda como contrapartida pela ajuda do Estado, o Banif ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros junto de investidores privados com o objetivo de reduzir a participação estatal para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto.

«Com esta operação, o Banif devolve um total de 275 milhões de euros ao Estado Português, ou seja, cerca de 70% do montante de CoCo's emitidas. Assim, o montante de CoCo's na titularidade do Estado foi reduzido de 400 milhões de euros para 125 milhões de euros», avançou o banco.

O banco fundado por Horácio Roque e agora liderado por Jorge Tomé disse ainda que «sobre estas obrigações agora recompradas incidia atualmente uma taxa de juro anual efetiva de 9,75%», pelo que «desde a sua subscrição, em janeiro de 2013, as Coco's emitidas pelo Banif já pagaram rendimentos ao Estado Português no valor de 34 milhões de euros».

Até ao momento, o Banif arrecadou 311,4 milhões de euros em quatro aumentos de capital, detendo o Estado português 68,8% do banco, faltando cerca de 130 milhões de euros para sair do controlo público, sendo este o valor que uma empresa da Guiné Equatorial poderá injetar no banco.

No ano passado, o Banif teve prejuízos de 470,3 milhões de euros, naquele que foi o terceiro ano consecutivo de resultados negativos, ainda assim menos 19,5% do que os 584,2 milhões de euros de 2012. A instituição está num processo de reestruturação, com diminuição do número de trabalhadores.