O presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, sublinhou na segunda-feira à noite que o banco conta com uma posição de “liquidez confortável”, garantindo que “os depositantes e contribuintes podem estar descansados”.

Em entrevista à RTP-Madeira, Jorge Tomé classificou de “disparate perfeito” um cenário de encerramento do banco, transmitindo uma mensagem de confiança aos depositantes da instituição.

“A minha mensagem, hoje, é uma mensagem de serenidade e tranquilidade para todos os clientes do banco”, acentuou.


Jorge Tomé assegurou que a negociação para a venda da instituição está a “correr muito bem”, recordando que este é um processo “estruturado” e avançando que há seis investidores internacionais a analisar a situação do banco. O banqueiro admitiu que a notícia de um eventual encerramento veio “perturbar todo um processo estruturado que está em curso, em que a posição do Estado está a ser vendida”.

Quanto ao reembolso da última tranche dos Cocos (de 125 milhões de euros), que deveria ter sido feita no início do ano, mas não foi, o presidente executivo do Banif justificou-a com o colapso do BES, que ‘contaminou’ a instituição.

“Teve um impacto bastante negativo no Banif, foi por isso que o Banif não pagou esta última tranche dos chamados CoCos de 125 milhões de euros”, declarou ainda Jorge Tomé na entrevista à RTP Madeira.


As ações do Banif perderam na segunda-feira mais de 40% na bolsa de Lisboa e hoje estavam a recuar 12,5% na abertura das transações no mercado, um dia depois das notícias de que o Governo está a tentar encontrar uma solução para o banco ainda esta semana.

No domingo à noite, a TVI avançou que o Estado está a estudar a aplicação de uma medida de resolução na instituição financeira e que poderá haver uma decisão ainda esta semana.

Segundo a TVI conseguiu apurar, essa medida deverá passar pela criação de um 'banco mau' onde serão colocados os ativos tóxicos da instituição e que poderá implicar perdas.

Essas informações levaram o Ministério das Finanças a publicar uma nota, ao início da madrugada de segunda-feira, a afirmar que está a acompanhar a situação do Banif, nomeadamente a tentativa de venda do banco a um investidor estratégico e a garantir que irá proteger os depositantes.

O Banif emitiu um comunicado ao mercado, também na segunda-feira, a dizer que qualquer cenário de resolução ou imposição de uma medida administrativa não tem “sentido ou fundamento”, após a divulgação de notícias que dão conta de que o Estado se prepara para intervir no banco.

A Comissão Europeia disse que qualquer solução a encontrar para o Banif terá que "assegurar a plena proteção dos depósitos garantidos".

O Banco tinha, no final de setembro, cerca de 1.700 trabalhadores em Portugal.