O Banco de Portugal deverá oficializar esta terça-feirao adiamento da venda do Novo Banco para depois das eleições legislativas.

Depois de falhadas as negociações com os chineses da Anbang, o regulador ainda negociou com os chineses da Fosun, mas o valor oferecido ficou abaixo do objetivo do banco central.

O Banco de Portugal deverá assim avançar com um novo processo de venda após as eleições de 4 de outubro.

O valor oferecido pelo Novo Banco não chegou aos dois mil milhões de euros líquidos, menos de metade do valor de 4.900 milhões de euros que o Fundo de Resolução aplicou há um ano no banco bom que sucedeu ao BES.

A 3 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.  

O Banco de Portugal, que preside ao Fundo de Resolução, tem duas opções em cima da mesa: ou escolhe um vencedor, ou adia a decisão de venda, já que as regras da resolução lhe dão dois anos para concretizar o negócio. E mesmo esse prazo poderá ser prorrogado. 

A incerteza em torno do negócio está a provocar instabilidade na banca em bolsa. Os mais prejudicados são o BPI e o BCP. Apesar de estarem a recuperar das perdas de ontem, as duas instituições valem agora menos em bolsa que os 4,9 mil milhões de euros injetados no Novo Banco.

Até meio da manhã, o BCP negociava cada ação a pouco mais de 4 cêntimos e o BPI a 81 cêntimos. O nervosismo na banca deve-se também ao aproximar dos testes de stress do Banco Central Europeu marcados para novembro.