Desde que o BCP anunciou mais um aumento de capital, de até 1.332 milhões de euros, na passada segunda-feira, que as ações do banco ão param de cair de preço em bolsa e esta quarta-feira fixaram um novo mínimo nos 0,8456 euros. 

O BCP disse que o preço de subscrição das ações, no âmbito do aumento de capital, foi fixado em 0,094 euros por cada título, que compara com os 1,0412 euros por ação no fecho de segunda-feira, antes do anúncio. Ou seja, o preço de subscrição representa um desconto de aproximadamente 38,6% face ao preço teórico ajustado com ex-right [sem direitos associados] e por isso o título está em queda - "a ajustar".

Nesta fase da operação cabe agora ao regulador do mercado de capitais, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, aceitar todas as condições da operação no prospeto elaborado pelo banco mas, para os interessados na subscrição, há questões a ponderar.

A TVI falou com Paulo Rosa, da sala de mercados do Banco Carregosa, para tentar esclarecimentos nesta fase do processo.

1 - Tenho que ser acionista para subscrever o aumento de capital?

Sim, tem que ser acionista. É um aumento de capital reservado a acionistas. Se algum investidor quiser ir ao aumento de capital terá que adquirir ações ou direitos quando estiverem a ser negociados.

2 - Até quando o posso fazer?

Ainda não há data definida.

3 - Como faço?

Junto da sua instituição financeira deve dar indicação que pretende subscrever novas ações ao preço de emissão de 0,094 euros (ou dar ordem de compra de direitos a outros acionistas que não queiram acompanhar a operação e vendem esse “direito” a quem quiser).

4 - Há um mínimo de ações que tenho que comprar para subscrever o aumento?

Não. Se comprar uma ação, o mínimo possível, terá direito a subscrever 15 novas ações ao preço de emissão de 0,094 euros.

5 - E se não quiser ir ao aumento de capital perco dinheiro?

Se for acionista, e não quiser ir ao aumento de capital, deverá vender os direitos de subscrição. Se nada fizer, sim perde este dinheiro da venda. De resto, todas as operações de aumento de capital diluem a posição e o valor dos acionistas que não o acompanhem.

6 - É seguro que BCP avance, mesmo, com o aumento ou está dependente de alguma condição?

O sucesso do aumento de capital está garantido pela existência de uma tomada firme por parte de um sindicato bancário, liderado por dois bancos norte-americanos, a J.P. Morgan e o Goldman Sachs, que compram as novas ações de todos os acionistas que não queiram acompanhar o aumento de capital.

7 - O que é, neste caso, um aumento de capital bem sucedido?

Todas as novas ações (14.169.365.580) serem subscritas, permitindo a entrada no banco de 1.332 milhões de euros.

8 - A aposta na banca, em termos de investimento, dada a atual conjuntura é segura?

Há mais de 10 anos que a banca portuguesa, e também uma boa parte do setor bancário europeu, tem dificuldade em gerar receitas sólidas e manter os seus rácios de solvabilidade estáveis, penalizados, nomeadamente, pelo fraco desempenho da economia nacional. Muitos investidores de longo prazo têm estado afastados destas operações, que poderão, no entanto, ser uma boa oportunidade para o “trade” por parte dos especuladores devido à elevada volatilidade que as caracterizam. Porém, a Fosun e Sonangol aproveitam este aumento de capital para se posicionarem dentro do BCP.  

9 - Para que quer o BCP o dinheiro?

Para pagar o empréstimo ao Estado, os denominados Cocos, no montante de 750 milhões de euros.

10 - Porque é que as ações estão em queda desde o anúncio do aumento de capital?

É normal as ações caírem quando é pedido dinheiro aos acionistas para honrar compromissos e não para expandir o negócio. E é a prova cabal de que o BCP não estava a conseguir gerar receitas para pagar as suas dívidas.

11 - Este aumento de capital é a “salvação do banco”?

Provavelmente não, enquanto a economia nacional se mantiver com um crescimento anémico. Apesar do reforço de um grupo chinês e o eventual interesse de um grupo angolano.

12 - Que receios recaem ainda sobre o futuro da instituição? Mesmo que o aumento de capital seja bem sucedido.

O BCP tem problemas de imparidades, resultantes de um elevado crédito malparado. Com o crescimento débil da economia nacional, o BCP não tem conseguido aumentar a sua rentabilidade.

13 - Este será o último aumento de capital do banco?

Com alguma certeza, podemos avançar que este não será o último aumento de capital do BCP.