A comissão de trabalhadores da TAP considerou hoje que as perturbações na companhia aérea resultam da falta de investimento na empresa e do crescimento desproporcional da rede com o objetivo de tornar a empresa «mais apetecível» para a privatização.

Em entrevista à Lusa, o coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) da TAP Vítor Baeta afirmou que o crescimento da rede da companhia liderada por Fernando Pinto «é desproporcional», considerando que o reforço das rotas «é importante para privatizar a companhia».

«É o que se chama o embelezar a noiva. É importante aumentar a rede, porque o valor da companhia mede-se pela dimensão da sua rede», declarou o responsável. Em contrapartida, diz que «há muitos anos que os sucessivos governos não investem na TAP», atribuindo essa falta de investimento também à intenção de privatizar a companhia.

«Não se têm feito investimentos na TAP dignos desse nome. Não é por pintar um edifício ou remodelar o mobiliário que se faz investimentos. É preciso melhores condições de trabalho, quadros suficientes, aviões que cheguem para a operação e espaço para a manutenção», acrescentou.

Vítor Baeta apontou a manutenção como a «área mais afetada pela falta de investimento», explicando que «as instalações são antigas e insuficientes e o material é antiquíssimo».

«Cada vez é mais difícil fazermos o trabalho: temos as ferramentas que tínhamos há 30 e 40 anos para equipamentos com mais tecnologia», acrescentou.

Segundo o porta-voz da CT, os problemas estendem-se aos quadros: «Em dezembro de 2010, havia 971 técnicos de manutenção e, em junho deste ano eram 917, com mais seis aviões na frota da companhia».

Em entrevista à Lusa na quarta-feira, o presidente da TAP afirmou que a companhia está «em processo final de admissão» de cerca de 50 técnicos para reforçar a equipa de manutenção, garantindo que o número e a experiência dos profissionais ficarão ao nível de 2010.

Vítor Baeta admitiu que, após o processo de admissão em curso, o número de técnicos de manutenção pode aproximar-se do de há quatro anos, mas rejeitou que a experiência dos profissionais seja semelhante.

«Com experiência entraram seis profissionais, os restantes não têm experiência e estamos a falar de uma profissão que assume autonomia ao fim de seis ou sete anos», afirmou.

Na entrevista à Lusa, o presidente da TAP admitiu que um somatório de fatores associados a um crescimento do tráfego acima do esperado têm conduzido a cancelamentos de voos, o que classifica de «dores de crescimento», que espera estarem sanadas em agosto.

Fernando Pinto explicou como «vários fatores» estão a abalar a operação da companhia, levando a que o índice de cancelamentos da TAP passasse de uma média de 1% para 2% em junho e julho. Um valor que, embora «alto», considere que deve ser «relativizado», pois representa uma média de sete voos cancelados em 350 diários.

«Tivemos um atraso na receção dos [seis] aviões, também um atraso na formação, sobretudo de tripulantes. Neste momento, conseguimos formar cerca de metade dos tripulantes que gostaríamos de ter formado», declarou.

O atraso no reforço da frota e do pessoal, indispensável para operar as 11 novas rotas lançadas em julho pela TAP, agravou-se com um crescimento do tráfego acima do esperado.